Quer prever o futuro?



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7 de janeiro de 2014Sem comentários

Leo Daniele

Agencia Boa Imprensa

“E a plateia não cantou”. Estou falando do último Rock in Rio, realizado em setembro último, e só agora comentado, pois a matéria, muito surpreendente e chocante, pedia algum tempo de reflexão.

Como diz a reportagem do evento, os cinco músicos da banda não têm “rostos”, usam uma máscara, e acessórios de sacerdotes da seita Illuminati. Depois deles, entrou o vocalista, “um papa sombrio, com máscara de caveira, um cajado com um símbolo pagão, túnica de papa, chapéu de papa e gestos de papa. Só que um mensageiro da palavra das sombras”.(1)

Descreve Jotabê Medeiros, autor da reportagem: Canções em um latim híbrido, como Per Aspera Ad Inferi(2) e Con Clavi Com, são declamadas pelo vocalista, que se apresenta apenas como Papa Emeritus II (no seu currículo, consta que foi precedido por outro papa infernal, Papa Emeritus I).

O jornalista introduz sua matéria da seguinte maneira: “Um papa saído das profundezas do Infernofoi a mais grata surpresa do rock no primeiro dia da segunda semana do Rock in Rio. O grupo sueco Ghost, cuja performance cênica é notadamente anticlerical e anticristã, brindou os fãs do rock pesado com uma mistura de rock retrô, rock clássico à Black Sabbath.

Como se vê, é o radical do radical em matéria de rock e beira o inimaginável! Mas esse radicalismo faz parte da propaganda revolucionária, como explica Dr. Plinio:

“Dir-se-ia que os movimentos revolucionários mais velozes são inúteis. Porém, não é verdade. A explosão desses extremismos levanta um estandarte, cria um ponto de mira fixo que fascina pelo seu próprio radicalismo os moderados, e para o qual estes se vão lentamente encaminhando. Assim, o socialismo repudia o comunismo. mas o admira em silêncio e tende para ele. Mais remotamente o mesmo se poderia dizer do comunista Babeuf e seus sequazes nos últimos lampejos da Revolução Francesa. Foram esmagados. Mas lentamente a sociedade vai seguindo o caminho para onde eles a quiseram levar.

“O fracasso dos extremistas é, pois, apenas aparente. Eles colaboram indireta, mas possantemente, para a Revolução, atraindo paulatinamente para a realização de seus culposos e exacerbados devaneios a multidão incontável dos “prudentes”, dos “moderados”, e dos medíocres”.(3)

Acrescenta o jornalista: “A dureza do clima ‘somos das trevas’ só é amenizada por um certo clima pop […] e pela gentileza do Papa Hell (inferno): ele pede para a plateia cantar consigo o refrão da última canção, Monstrance Clocks. Letra que de ingênua não tem nada. Vamos juntos para o filho de Lúcifer, diz o refrão. A plateia não canta”.

Terminamos este artigo como começamos: a plateia não cantou. Não cantará no próximo ou nos próximos rock in Rio? Algo não ficará nas cabeças dos que a compõem? Como dizia Dr. Plinio. “aexplosão desses extremismos levanta um estandarte, cria um ponto de mira fixo que fascina pelo seu próprio radicalismo os moderados, e para o qual estes se vão lentamente encaminhando”.(4)

Sem dúvida, caberia um vigoroso protesto dos meios religiosos. Que, aliás, não veio…

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Notas:

1. “O Estado de S. Paulo, 20-9-13.

2. “Pelas coisas difíceis se vai ao inferno’’, distorção da frase latina “per aspera ad astra”(através das coisas difíceis se vai aos astros).

3. Plinio Corrêa de Oliveira, Revolução e Contra-Revolução, I, VI 4.4.

4. Op. cit.

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(*) Leo Daniele é colaborador da Agência Boa Imprensa (ABIM)

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