12/06/2014

às 19:57 \ Tema Livre

COPA 2014: 3 a 1 foi placar largo demais para um Brasil ajudado pelo juiz e que jogou muito aquém do que sabe

Coluna do

Ricardo Setti

 

comemoram a vitória do Brasil sobre a Croácia (Foto: Ivan Pacheco/VEJA.com)

Para dizer a verdade, amigas e amigos do blog, nem sei se o Brasil mereceu vencer a Croácia.

Por 3 a 1, não mereceu, mesmo. Contagem larga demais, injusta para com o adversário.

Claro que o gol croata foi um acidente, embora um avanço estabanado de Daniel Alves tenha deixado descoberto o flanco por onde se construiria a jogada que acabaria com a primeira bola no fundo das redes da Copa 2014, desviada pelo pé de Marcelo.

Mas talvez — talvez — o goleirão croata Pletikoza pudesse ter defendido o chute mascado de Neymar que decretou o empate. E, é claro, o pênalti cavado por Fred foi escandalosamente inexistente.

O principal, dizem todos os integrantes da Seleção, é que vencemos. Para mim, porém, o principal foi a oportunidade de Felipão verificar que nem tudo o que se treina, mesmo incontáveis vezes, acaba se reproduzindo no terreno de jogo. E correr para corrigir o que não funcionou, pois o time jogou muito abaixo do que se esperava.

Vimos um Brasil errando muitos passes, esticando sucessivamente bolas difíceis para o domínio do ataque, sem conseguir abafar a saída de bola do bom time croata — defesa forte, meio-campo habilidoso, onde se destaca o craque Modric, do Real Madrid, boa capacidade de contra-ataque — e com pouca ousadia para a jogada individual desequilibradora.

Quando aconteceu, como no primeiro gol de Neymar ou, sobretudo, no gol de bico do excelente Oscar, as coisas mudaram para muito melhor.

Peças importantes do time de Felipão não estiveram bem.

Paulinho, jogador cada vez mais respeitado internacionalmente, poucas vezes foi o fator surpresa que vem de trás para se apresentar, com perigo, na área.

Marcelo, estabanado e evidentemente abalado pelo gol contra, não se encontrou — marcou mal, errou passes, deu chutões.

Na outra lateral, Daniel Alves fez uma de suas piores partidas pela Seleção.

Luiz Gustavo, uma parede difícil de ultrapassar, bom no desarme e na entrega da bola, não repetiu suas boas atuações.

Fred, sempre valente e brigador, sumiu do jogo, e sua grande proeza foi conseguir um pênalti que não honra as cores da Seleção. Hulk lutou muito, mas pareceu ter esquecido o que treinou.

Em compensação, senti firmeza nas poucas intervenções do contestado Júlio César. David Luiz justificou plenamente a fortuna que o Paris Saint Germain gastou para tirá-lo do Chelsea. Neymar foi corajoso e disputou uma excelente partida. E Oscar, depois de um começo apagado, cresceu e se tornou uma ameaça constante para os croatas.

Muito além dos acertos individuais, porém, Felipão vai precisar fazer o time voltar a ter um padrão de jogo — idealmente, caminhar firme para aquele tipo de atuação inesquecível da vitória contra a Espanha, na final da Copa das Confederações, no ano passado.

Não tenham dúvida: esta Copa não será moleza, de forma alguma.

 

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