De livros acadêmicos a obras raras, biblioteca ainda é espaço procurado para leitura e pesquisa

Na Biblioteca Pública de Santa Catarina, que completa 160 anos neste sábado, obra mais antiga é “Reper […] Veja mais em: http://ndonline.com.br/florianopolis/noticias/170600-de-livros-academicos-a-obras-raras-biblioteca-ainda-e-espaco-procurado-para-leitura-e-pesquisa.html?utm_source=Portal-RICMAIS&utm_medium=chamada&utm_campaign=Parceria-RICMAIS.

Ao folhear as páginas amarelas da revista Sul, que circulou em Santa Catarina entre 1947 e 1957, o museólogo Renilton Matos Assis, 33 anos, resgata a história do modernismo no Estado e que teve entre os integrantes os escritores Salim Miguel e Eglê Malheiros. Há cerca de um mês, Renilton pesquisa, fotografa e separa para sua dissertação de mestrado os trechos mais importantes de toda a coleção da revista arquivada na Biblioteca Pública de Santa Catarina, que completa 160 anos de fundação neste sábado. Com acervo de 115 mil volumes, a biblioteca mantém seu encanto, mesmo com a internet e os livros digitais cada vez mais em alta. E permanece como fonte de pesquisa, estudos e leitura, onde é possível encontrar obras raras, resgatar fatos esquecidos e se transportar para outras épocas.

“Eu poderia até achar trechos da revista Sul na internet, mas seriam recortes de outro pesquisador. Acredito que a biblioteca seja o único lugar que tem a coleção completa desta revista”, diz Renilton, que faz mestrado em patrimônio cultural e construirá a dissertação sobre a criação do Museu de Arte de Santa Catarina. “No contato direto com o material, posso ver o modernismo com outro olhar e a alta qualidade das páginas dificilmente eu encontraria na internet”, completa.

Quando a internet começava a se popularizar e a administradora da biblioteca, Patrícia Karla Firmino, 40, era apenas estudante de biblioteconomia em 1999, ela lembra que discutia-se qual seria o papel dos livros e das bibliotecas em um futuro próximo. “Temíamos que a tecnologia faria com que o livro desaparecesse e isso não ocorreu, muito pelo contrário. Além dos livros de literatura, que são muito emprestados, os estudantes de pré-vestibular e de universidades, por exemplo, procuram muitos livros que são caros e não estão em domínio público, como obras administração e de direito”, afirma.

Raridades estão no terceiro andar

O terceiro andar da Biblioteca Pública de Santa Catarina reserva um espaço dedicado exclusivamente às chamadas obras raras. De acesso restrito, o local só pode ser acessado por funcionários, tem umidificadores de ar para a conservação dos livros e estima-se em 10 mil exemplares inventariados, com livros que vão desde o século 17 até os dias atuais. Mas o acervo é muito maior, pois as estantes do terceiro andar ainda contam com muitos livros que não foram inventariados.

O acesso é restrito por conta da precariedade em que muitos livros se encontram devido à ação do tempo ou ao manuseio incorreto antes de chegarem à biblioteca. Com luvas e muito cuidado, é possível ler e pesquisar acontecimentos de décadas e até séculos atrás. E para fazer isso não tem idade.

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Obra mais antiga é de 1643

img_219774411_1386618567_abigA obra mais antiga nos arquivos da biblioteca pública de Santa Catarina é de 1643. O “Repertório das ordenações e leis do reino de Portugal” trata das leis daquele país em meados do século 17. De literatura, há uma coletânea completa de obras do escritor e poeta fluminense Casimiro de Abreu, de 1877. Na área científica, “Opúscula”, de 1790, é um tratado de medicina escrito em latim e que dispõe das descobertas da medicina daquela época.

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Títulos on-line e hemeroteca atraem leitores

O grande fluxo de pessoas na Biblioteca Pública de Santa Catarina, segundo a administradora Patrícia Karla Firmino, se deve principalmente a dois acontecimentos marcados na história da instituição. Esses fatos são de novembro do ano passado.

O primeiro foi o lançamento da catalogação de todo o acervo de títulos na plataforma on-line, possibilitando com que as pessoas pesquisem de casa o que está disponível na biblioteca. “As pessoas veem que toda semana tem títulos novos e que não há apenas livros antigos. Além dos clássicos, temos até best-sellers recentes, como “50 tons de cinza” e a coleção de Harry Potter, por exemplo”, diz.

A consulta ao arquivo pode ser feita por meio do Sabio (Sistema de Automação de Biblioteca). Além de facilitar o acesso aos usuários, é possível fazer renovações de livros e reservar outros pelo site www.fcc.sc.gov.br/bibliotecapublica.

O segundo acontecimento foi o lançamento da Hemeroteca Digital Catarinense, que divulga o acervo documental de publicações periódicas, em especial jornais editados e publicados em Santa Catarina a partir do século 19. Com o lançamento na última quinta-feira do terceiro catálogo de jornais catarinenses, com 1.483 títulos entre os anos 1831 e 2013, a biblioteca disponibiliza cerca de 300 periódicos digitalizados em alta qualidade e pretende continuar o trabalho.

Por ser um processo manual, feito página por página, a digitalização é demorada e compreende um esforço coletivo dos novos bibliotecários, assistentes e estagiários. Depois de escaneadas, as páginas são editadas e disponibilizadas em alta qualidade. “A biblioteca é um lugar especial que, mais do que o saber, é o lugar especial que guarda a memória coletiva da cidade”, diz a escritora Lélia Pereira da Silva, membro da Academia Catarinense de Letras.

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A BIBLIOTECA

Criação: 31 de maio de 1854
Inauguração: 9 de janeiro de 1855
Acervo: 115 mil volumes
Obra mais antiga: “Repertório das ordenações e leis do reino de Portugal”, de 1643

Informações

Horário de funcionamento: das 8h às 19h15, de segunda a sexta-feira. Aos sábados, o atendimento ao público é feito das 8h às 11h45.

Endereço: rua Tenente Silveira, 343 – Centro, Florianópolis

Telefones: 3665-6420 (secretaria); 3665-6422 (recepção)

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