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Quinta-feira, 23/10/2014
A você que está indeciso(a)
Julio Daio Borges

Você não acha estranho ir ao supermercado e encontrar tudo mais caro (porque todo mundo vai ao supermercado, não é só a "dona de casa") e as notícias oficiais dizerem que a inflação não é significativa ou que está "controlada"?

Você não acha estranho o Brasil crescer menos do que a América Latina? O Brasil, que sempre foi líder na região? Você não acha estranho o governo jogar a culpa na "crise externa", sendo que ela não afeta a maioria dos nossos vizinhos, só a países com políticas econômicas "heterodoxas" como a nossa (leia-se Argentina e Venezuela)?

Você não acha estranho que publicações respeitadas no mundo inteiro, como a Economist e o Financial Times, instituições sérias como o FMI e agências de "rating" como a Moody’s fazerem críticas severas à maneira como a economia brasileira está sendo conduzida, enquanto que a resposta de nossos governantes é sempre uma tentativa de desqualificar quem os critica e nunca no sentido de responder com argumentos e justificativas?

Você não acha estranho que a bolsa de valores caia e que o dólar suba toda vez que as pesquisas de intenção de voto são favoráveis à manutenção do atual governo? Você pode não entender nada de economia – nem de bolsa, nem de câmbio -, mas não acha estranho que investidores tirem seu dinheiro das empresas brasileiras e que haja "fuga de capitais" do País sempre que aumenta a probabilidade de reeleição?

Você não acha estranho que alguém que foi presidente do conselho de uma empresa, indicou a executiva que hoje ocupa a presidência, foi ministra de uma pasta ligada a essa empresa, hoje é presidente da República, sendo essa mesma empresa uma das principais estatais brasileiras, e sendo ela alvo de um dos maiores esquemas de corrupção dos últimos tempos, você não acha estranho essa pessoa, tão próxima à direção da empresa, dizer que não sabia de nada, que nunca soube de nada, sendo que recursos vultuosos dessa empresa têm sido desviados há quase uma década?

Você não acha estranho que, quando são listados escândalos deste governo, a resposta oficial sempre seja no sentido de denunciar escândalos de outros governos, anteriores a este? E você não acha estranho que, se havia tantos escândalos assim (nos outros governos), este governo, que está no poder há *doze* anos, nunca tenha se preocupado em apurá-los? Você não acha mais estranho ainda que um dos maiores escândalos dos últimos tempos tenha envolvido – julgado e condenado à prisão – integrantes da cúpula do partido *deste* governo? E, para completar, você não acharia estranho um governo (de qualquer país) que só julgasse os próprios escândalos e que só punisse membros de seu partido e da sua "base aliada", acusando outros governos, e partidos adversários, só quando fosse conveniente (em época de eleição), mas nunca, efetivamente, apurando escândalos "alheios"?

Você não acha estranho que o candidato de oposição considerado "de direita" (no sentido pejorativo do termo) receba o apoio de quase todos os outros candidatos à Presidência da República que não passaram no primeiro turno, mesmo daqueles "de esquerda"? E você não acha estranho que os outros candidatos que não passaram, e que não apoiaram o candidato de oposição, não tenham apoiado, tampouco, a candidatura oficial do governo? Ou seja: você não acha estranho que, dos candidatos que não passaram para o segundo turno, ou eles apoiam o candidato da oposição ou eles *não apoiam ninguém*? Enfim, você não acha estranho que nenhum outro candidato apoie declaradamente a candidatura do governo, mesmo os presidenciáveis "de esquerda" e até os "de extrema esquerda"?

Para concluir: você não acha estranho que, desde os dados oficias até a campanha eleitoral, até os institutos de pesquisa, tudo neste governo passe um ar de incerto e de duvidoso, quando não de falso ou até forjado, só para prejudicar adversários? E você não acha estranho que uma candidata de situação, que faça acusações graves – e sem provas -, a um candidato de oposição, se ofenda por ser chamada de "leviana"? Leviano, segundo o dicionário: "Aquele que expressa opinião sem ter certeza do que está informando. Aquele que não domina o assunto. Aquele que procede sem bases verdadeiras, soando irresponsável. Aquele que age com insensatez, precipitadamente. Aquele que não tem noção do que é prudência, sabedoria ou ponderação". Para resumir a ópera, você não acha estranho que esse simples adjetivo – leviano – tenha despertado a ira de um ex-presidente da República, que governava até há pouco tempo e que fundou, justamente, o partido do governo?

Julio Daio Borges
23/10/2014 às 20h11

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