O QUE É SER “BEM SUCEDIDO”? SOBRE AS BRIGAS COM OS SEUS PAIS

08/08/15

Todos procuramos o Sucesso, mas o conceito de “pessoa bem sucedida” vem mudando muito e causando desconforto entre pessoas de gerações diferentes. Vamos nos ater às últimas gerações para entender isso melhor.

Com o fim das guerras mundiais, um mundo destruído tentava se reerguer economicamente. As pessoas buscavam trabalho e voltaram a ter filhos, o que acarretou um “boom” na taxa de natalidade. A essa geração damos o nome de Baby Boomers, seus avós. Para eles, sobreviver com algum conforto já era por si só uma vitória e simplesmente ter um filho na faculdade já era um grande motivo para se achar bem sucedido. Se alimentar bem era quase uma ostentação e por isso ouvimos sempre histórias do tipo “no meu tempo refrigerante era só no natal”, e fazer carne, peixe e frango, todos na mesma refeição, não os incomoda (muito pelo contrário). Trabalhava-se desde criança e por isso também ouvimos muito “com 14 anos seu vô já dirigia caminhão, cuidava do armazém e alimentava 8 irmãos”. O trabalho não tinha nenhuma ligação com sua personalidade e nem a pretensão de ser prazeroso. A ideia era “faça o que você não gosta para viabilizar o que gosta”.

E foram essas valentes pessoas que criaram seus pais, denominados Geração X (nascidos em 1960-1980). O mundo aqui já estava melhor e é por isso que seus pais possivelmente conseguiram uma ascensão financeira PROPORCIONAL, em dimensões que você dificilmente conseguirá. Primeiro porque você já nasceu mais rico que eles, e multiplicar isso é então já mais difícil. Segundo que o mercado é muito mais exigente e competitivo hoje. Seus pais viveram inflações inacreditáveis, assistiram charlatões de multidões e viram o Collor pegar dinheiro do nada. Isso gerou traumas como ter grandes dispensas de comida em casa, achar que “tudo é pirâmide”, odiar os bancos… No pós-guerra a prioridade era refazer as construções, reorganizar o controle burocrático e reestabelecer a saúde. Logo, os profissionais que mais enriqueceram foram os engenheiros, advogados e médicos. Por isso muitos pais supervalorizam essas opções: porque eram os que eles mais viram “pro$perar”. Para essa geração, ser bem sucedido provavelmente é algo próximo de 1-acordar cedo 2-trabalhar o dia todo 3-acumular dinheiro 4-comprar uma casa própria. Este último significa muito porque representa segurança pra eles. Trabalhar numa grande empresa e ter uma casa própria com carro na garagem são prioridades de alguém “bem sucedido”. Falar inglês então era uma vitória que exigia muito dinheiro e tempo. Lazer, prazer no trabalho e até a saúde ainda não são grandes prioridades. A ideia aqui é “Quem quer ser bem sucedido trabalha pesado pra enriquecer”.

Então nasce você, geração Y (1980-2000), com televisão em casa, com lei proibindo trabalho infantil, contando calorias na academia e com um Iphone mais proativo que as 10 pessoas do trabalho do seu pai. Possivelmente você já fala algumas outras línguas e viajar para outro país, embora não seja algo rotineiro, não é nenhum super desafio de vida. Na fase do vestibular você já tem mais conhecimento que um pai de família da década de 50 e a economia te parece relativamente estável. Pra falar a verdade você não morre de ódio dos bancos e até gosta das propagandas do Itaú. Valoriza mais a qualidade de vida do que o acúmulo de poupança e pretende usar a internet para ir a praia sem deixar de trabalhar. A PME diz que 2/3 das profissões do futuro ainda nem foram inventadas, e isso prova como hoje se pode viver bem com profissões como dsigner de games, fotógrafo, blogueiro, músico, estilista, desenhista, professor de caiaque e dono de petshop. De repente você entende viver bem pode ser possível de um jeito prazeroso. Seu trabalho pode estar ligado a sua personalidade e o que era um passatempo pode pagar suas contas. Com o mínimo de educação financeira já é possível ganhar dinheiro sem abrir mão da família, do lazer, da saúde. Agora imagina seus avós vendo você dizer que vai trabalhar com.. lixo reciclável… Aplicativo de celular! Entende?

Cada geração teve seus desafios, seus medos e traumas. Mas todos querem o melhor para aquele que está chegando e por isso o guiam para o que entendem ser o melhor. E não podemos cometer aqui é o erro de achar que um foi mais fácil ou difícil que outro. Isso porque talvez você não tivesse a malicia do seu avô naquela mercearia, e talvez ele sucumbisse na concorrência dinâmica e internacional de hoje. Hoje você vive em outro tempo com outros desafios e outras possibilidades, mas o fato é que todas as rugas devem ser respeitadas, porque até os seus defeitos são lindos..

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MINORU RAPHAEL

Músico por formação acadêmica, com PhD em torta de limão, mantenho no currículo o recorde pessoal de 27 outonos sem morrer. Aos meus alunos, deixo apenas as questões que nunca consegui responder. De olhos no mundo e coração em Nazaré, sou um jovem pseudointelectual que tenta. Ama e tenta. Tenho sonhos, medos e mágoas. Estarão todos aqui. Conheça o blog Minorulandia.

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