Católicos se afastam do PT

PUBLICADO EM 12/01/2016 ÀS 11:00 POR EM NOTÍCIAS

Foto: divulgação. 

Por Terezinha Nunes, especial para o Blog de Jamildo

Não se tem notícia de que o ex-presidente Lula seja católico. A presidente Dilma, por sua vez, causou vexame na campanha para o seu primeiro mandato quando, levada pelo então deputado federal Gabriel Chalita a uma missa na Basílica de Aparecida, precisou levar um cutucão público para poder fazer o sinal da cruz antes da leitura do evangelho, como faziam os demais fiéis.

Apesar disso, o próprio Lula reconhece em vídeos exibidos na Internet a influência da chamada esquerda católica na fundação do PT, em 1980, quando a maioria dos integrantes das comunidades eclesiais de base, criadas sob inspiração da Teologia da Libertação, se filiou ao novo partido acreditando que estava seguindo os preceitos do Concílio Vaticano II na sua opção preferencial pelos pobres.

Em 1988 chegou-se a propagar que, por influência da comunidades de base e de padres e bispos simpatizantes, o PT conseguira grande expressão na eleição daquele ano sobretudo em São Paulo.

A euforia dos primeiros simpatizantes petistas no seio da Igreja Católica, porém, foi arrefecendo com o passar dos anos, como afirma o professor Imerson Alves Barbosa, da Unesp, em sua tese “ A esquerda católica na formação do PT” quando os católicos começaram a se convencer que pouca influência estavam exercendo na legenda cada vez mais comandada pelo grupo mais ligado ao ex-líder operário Lula da Silva, interessado em abrir mão de vários princípios para chegar ao poder.

Oficialmente, porém, o primeiro que mostrou desconforto público foi o Frei Beto que abandonou a equipe de Lula, logo no primeiro mandato, quando o seu programa Fome Zero foi substituído pelo bolsa família. Apesar de continuar amigo de Lula, Frei Beto virou dissidente e nunca mais se aproximou do poder.

O professor Imerson afirma na tese escrita antes dos atuais escândalos de corrupção que “ no PT há muito pouco ou quase nada das idéias e princípios propostos pelos grupos sociais <TB>que participaram de sua formação, Some-se a isso, o momento histórico, as injunções políticas, que fizeram os cristãos reavaliarem sua participação política como grupo no interior do PT”.

Hoje, pode-se dizer que são poucas as lideranças leigas católicas e até padres – não se tem notícia de bispos – que demonstram simpatia pelos petistas. Após os casos de corrupção então cresceu no seio da Igreja até uma certa ojeriza aos petistas depois que Dilma declarou-se abortista. A presidente chegou a negar mas o clima não arrefeceu.

Este final de semana a imprensa paulista citou o caso do padre Julio Lancellotti, , da Pastoral do Povo de Rua, em São Paulo, que, em entrevista, anunciou praticamente o seu rompimento com o prefeito petista Fernando Haddad, acusando-o de estar abandonando o trabalho com os pobres.

Esta terça-feira mais um alento aos católicos que discordam do PT veio de Roma onde o Papa Francisco lançou o seu livro “O nome de Deus é a misericórdia”. O livro não se refere aos petistas e nem apenas aos brasileiros mas vem a calhar no momento em que o PT responde pelo maior caso de corrupção da história brasileira.

Francisco diz em seu livro que a corrupção é um pecado e , apesar de recomendar o perdão aos pecadores arrependidos, afirma, em outras palavras, que os corruptos são os mais difíceis de alcançar a conversão “ A corrupção é o pecado que, em vez de ser reconhecido como tal e de nos tornar humildes, se tornou um sistema, uma forma de vida”. Segundo ele os corruptos “Não sentem necessidade de perdão e de misericórdia, mas justificam-se e aos seus comportamentos…….. “

Certamente que o PT não esperava por essa logo agora que afunda-se cada vez mais nas denúncias de corrupção em quase todos os setores em que pôs a mão.

Depois não se conhece um católico disposto a contrariar os ensinamentos de Francisco aceitos por todos os cristãos – inclusive os não católicos – e até por ateus no mundo inteiro.

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