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paulo schiff big

A faxineira da Câmara

A leitura de notícias desanima. Todo dia tem reportagem sobre o vírus zika. Todas elas escancaram a precariedade da vida brasileira atual. Ontem, a notícia relacionava esse vírus a abortos. Mulheres grávidas que contraem o zika preferem abortar. Os abortos têm sido realizados em clínicas particulares. Utilizam um medicamento proibido, o misoprostol. E tem acontecido entre a sexta e a oitava semana de gestação. A chamada dessa reportagem dizia que os abortos têm sido realizados antes da constatação de qualquer lesão ao feto.

Outra notícia constrangedora se refere ao ainda presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB). A nova denúncia aponta cinco novas contas bancárias no exterior em que ele teria recebido 3,9 milhões de dólares.

O que representam cinco manchas a mais num leopardo? – você pode estar pensando. Ou cinco montinhos de cocô de galinha a mais num poleiro velho de galinheiro? Nada. Você tem razão. Nada. O problema é que no caso das grávidas, além do desespero natural delas, tem as clínicas particulares que ganham com isso.

Cada aborto custa entre R$ 5 mil e R$ 15 mil. Esses médicos infringem a lei que proíbe esse tipo de procedimento no Brasil e lucram com isso. Deve ter foto deles nas colunas sociais.

À lerdeza das autoridades que permitiram que a coisa chegasse nesse ponto se une o oportunismo desse bando de aproveitadores. No caso do deputado, a permanência dele no cargo de presidente da Câmara, tira qualquer credibilidade que o parlamento brasileiro pudesse ainda ter.

Em outubro foram descobertas quatro contas dele na Suíça usadas para depósito de propina. Ainda na inacreditável hipótese de inocência de um sujeito com esse currículo, pelo menos ele deveria estar afastado do cargo durante as investigações. A única explicação para ele ainda estar lá é a safadeza de quem deveria estar desinfetando essa cadeira. E não é a faxineira…

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