A escola de samba Imperatriz já desfilava nos idos dos anos 1970 graças à ajuda da Família Cambará (Fotos: Agência Navepress/Divulgação)

By on 6 de fevereiro de 2016

Aproximadamente até o final da década de 70, haviam quatro grupos de desfiles das Escolas de Samba. Primeiro Grupo na Avenida Presidente Vargas, Segundo Grupo na Avenida Rio Branco, Terceiro Grupo na Praça Onze e o Quarto Grupo na Avenida 28 de Setembro em Vila Isabel.

O sonho de todas as Escolas era chegar e ficar no Primeiro Grupo. As disputas eram acirradíssimas. Em Cima da Hora, Jacarezinho, Cabuçu, Unidos da Tijuca, Capela, Lucas, Tuiuti, Caprichosos, Lins Imperial, Unidos da Ponte, Unidos de Padre Miguel entre outras dezenas de Escolas. Rocinha não existia, Beija Flor era uma simples coadjuvante só para se ter uma pequena ideia.

Naquela época havia o que chamávamos de Tablado. Este vinha à ser um palco de madeira bem no meio da Passarela estrategicamente enfrente à temível Comissão Julgadora. Ala por ala tinha que subir no Tablado e ali evoluir da melhor maneira possível. Ah! que tempo bom! Simplesmente não havia espaço para os oportunista do samba. Tipo os “artistas globais”. Tempo em que os verdeiros sambistas tinham vez imagem e voz. Podiam ser vistos nas principais capas de revistas, jornais e outros periódicos. Davam entrevistas nas rádios, e nas  primeiras emissoras de TV do momento.

Era um tempo romântico, cultural e de identidade. O morro descia para sambar e cantar. Em resposta, a cidade cantava. A polícia tinha acabado de perseguir nossos sambistas. Mas já tinha outro grupo de olho nesta tradição, pois estava se tornando algo maravilhoso, excepcional. Ah! Velho Samba, os canibais não tiram os olhos de você.

Deram um bote certeiro e os negros e negras das favelas passaram a ocupar a retaguarda. Os autênticos ficaram invisíveis. A visibilidade ficou por conta dos globais. Os presidentes embranqueceram, criaram a Liga que só ligou os mafiosos. O capital financeiro (uma fortuna) das Escolas não circula nas favelas.

Mas a luta continua. Porque os sambistas são de resistência e ainda cantam: “Não deixa o samba morrer não deixa o samba acabar. O Morro foi feito de samba e samba pra gente, nossa gente sambar. Bum bum pra ti cum bum procurumdum.

About Rumba Gabriel

Nome: Antonio Carlos Frerreira Gabriel nasc. em 03 .07 Carioca RJ Rumba Gabriel Rumba era meu pai, compositor e parceiro de Nelson Cavaquinho, Cartola entre outros, dançava muito e bastante boêmio. Todos tinham apelidos. Meu pai era rumba porque dançava muito gafieira, logo ganhou o seu. E eu herdei. Sou jornalista, teologo, compositor da Mangueira e presidente da Esc. Samba Jacarezinho, escritor e poeta. flamenguista e adora uma feijoada, quem quiser pode me convidar.

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