Entre as feras da areia: catarinense irá participar da Olimpíada como juíza de linha do vôlei de praia

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Foto: Paulo Frank / CBV / Divulgação

Ansiedade, emoção, orgulho, frio na barriga e nervosismo. Sentimentos que a catarinense Priscila Jochem está tentando manter sob controle antes de desembarcar no Rio de Janeiro, quando entrará em quadra a partir do dia 6 de agosto, para exercer a função que tem se dedicado há 16 anos. Priscila foi escalada para trabalhar como juíza de linha nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Ela é a única árbitra de vôlei de praia de Santa Catarina com credenciais para estar no torneio.

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Formada em educação física pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e natural de Alfredo Vagner, na Grande Florianópolis, Priscila está contando os minutos para pisar nas areias de Copacabana.

– Eu entrei na faculdade querendo trabalhar com alguma coisa relacionada ao vôlei. Mas nunca imaginei que seria como árbitra. É muito surreal, só vou acreditar quando estiver lá. Vou chorar 100 vezes – contou, em entrevista por telefone.

Antes de se dedicar com exclusividade ao vôlei, Priscila chegou a trabalhar como árbitra de futebol de campo. Mas, se decepcionou coma modalidade e, em 2000, quando surgiu a oportunidade de fazer o curso da Federação Catarinense de Vôlei (FCV), não pensou duas vezes:

– O futebol é muito grosseiro, já tive que sair de campo escoltada, levei cuspida na cara. Não gostei. Fiz o curso da FCV e depois de três anos fui promovida a árbitro regional. Depois, por indicação do presidente da FCV, Dante Klaser, fiz o curso de aspirante a nacional. Em 2010 apitei alguns jogos de Superliga e também jogos de vôlei de praia em nível nacional. Em 2014 eu tive que optar. Fiquei em dúvida porque eu sempre gostei da quadra, mas o vôlei de praia é muito apaixonante. Além disso, tive que analisar onde teria mais futuro – relembrou.

Foto: CBV / Divulgação

Mudança no estilo de vida

Além de arbitra, Priscila trabalha como personal trainer em Videira, cidade em que está morando desde dezembro de 2015. Hoje, ela cuida do corpo dos outros, mas em 2010, precisou de mudança drástica de vida para continuar atuando nas quadras.

– Quando fiz o curso para árbitro nacional, um dos coordenadores da quadra me chamou, e naquela época eu era gordinha, e ele disse o seguinte: “Priscila, você tirou uma excelente nota, você é uma excelente árbitra, só que você está fora do padrão do que a Federação Internacional quer. Então você pode chegar onde está hoje, ou pode alçar voos mais altos. Só que para isso você vai ter que emagrecer”. Foi onde eu resolvi fazer uma cirurgia de redução de estômago, há cinco anos – explica.

Agora, com o peso em dia, a catarinense luta todos os dias contra a timidez e é aplicada nos estudos. Como árbitra internacional, ela precisa estar com o inglês na ponta da língua, mas confessa que sente um pouco de vergonha em conversar em outro idioma:

– Fazemos provas de inglês antes de cada etapa. E para mim era tão inatingível fazer um curso de árbitro internacional que fui protelando. Há três anos, nossos coordenadores criaram um quadro de candidatos a árbitros internacionais. Durante esse tempo passamos por uma série de avaliações. Então, há dois anos, eu comecei a estudar inglês, quando ficou um pouco mais palpável. Agora, por causa do ritmo das viagens, faço curso online.

Saiba o que faz um juiz de linha

– Juiz de linha é um auxiliar do primeiro e do segundo árbitro. Temos que marcar bola dentro, fora, que toca no bloqueio, que tocam na antena e manter as linhas limpas e em ordem.

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