Biografia de Alfredo Henrique Wagner escrita por seu neto Altair Wagner

Filho de Henrique Cristiano Wagner e Maria Caetano Rachadel. Faleceram muito jovens no Sertão do Maruim, aos 32 e 30 anos em 1876. Possivelmente uma epidemia tenha abatido o jovem casal.

Pais de 5 filhos, sendo o 3º Alfredo Henrique Wagner, que nasceu em 28/11/1871 e faleceu em 20/10/1952 em Lomba Alta aos 81 anos.

Era casado com Julia Freiberger que nasceu em 22/05/1873 e falecida em 12/05/1951 aos 78 anos.

Alfredo Wagner, órfão aos 5 anos, foi morar com seus padrinhos e tios Manoel Estefano Köerich e Catarina Wagner, inicialmente perto da Ponte do Maruim, bem próximo ao mar e posterioemente foram morar em Garopaba. AlFredo residiu com os tios durante 13 anos. Em 1889 com 18 anos, estava cuidando da “venda” de seus tios enquanto tomavam café, aproveitou para dar umas “espiadelas” pela fresta da janela para sua namorada que se encontrava no outro lado da rua. Não deu certo. Seus tios o observavam. Ao retornarem mandaram Alfredo tomar café e o advertiram que depois iriam conversar. E esta conversa transformou-se em uma surra. Já havia sido advertido de que não podia namorar aquela moça.

Era o ano da Proclamação da República. Seram adversários políticos? Republicanos? Monarquistas?

Vovê fugiu de Garopaba e retornou a pé até Sertão do Maruim, percorrendo 65 km passando por Paulo Lopes, Enseado de Brito e São José.

Tia Catarina, alguns dias após, veio ao Sertão de Maruim, tentando levá-lo de volta. Alfredo não quis retornar à cada dos tios. Aprendeu a profissão de sapateiro.

Em 1890, com a notícia da formação  de “burgos” agrícolas, que previa para o 5º Distrito, formado por Quebra-Dentes, Lessa e Rio Adaga, 85 famílias num total de 411 pessoas. O 2º Distrito formado por Caeté, Águas Frias e Lomba Alta previa 89 famílias, num total de 438 pessoas e o 3º Distrito formado pelos Rios Jararaca, Engano e Itajaí com 150 famílias e uma população de 763 pessoas.  Sem dúvida a notícia da criação de “Burgos” e a importância da Colônia Militar de Santa Tereza influenciou Alfredo Henrique Wagner aos 21 anos, se mudar do Sertão do Maruim para a Colônia Militar de Santa Tereza. Em 1892 seguiu a pé com 400 réis no bolso e uma gaiola com um sabiá preto.

Deixou sua namorada Julia Freiberger, filha de Pedro e Felisbina Freiberg em São Pedro de Alcantara. Em Santa Tereza trabalhou como sapateiro e escrivão do posto fiscal.

Conseguiu em menos de três anos condições financeiras para o seu casamento, que se realizou em 30/07/1895.

Alfredo w Julia tiveram 11 filhos, dois dos quais Ernesto e Maria faleceram pequenos em 1897 e 1900 respectivamente.

Residiu Alfredo em Santa Tereza até 1904, portanto por 12 anos, quando então se lançou a uma nova aventura.

Nesta época, 1904, foi aberto o picadão que ligava Barracão (hoje Alfredo Wagner) à Bom Retiro, passando por Lomba Alta, tornando-se assim local de maior movimento de cargueiros e tropas de gado.

Então aos 33 anos, Alfredo veio para Lomba Alta, deixando sua família em Santa Teresa.

Instalou-se à margem do Picadão em um Rancho coberto com lona sob um Cedro.

Com trabalho e sacrifício conseguiu melhor condição de moradia e em dezembro de 1906 trouxe Dona Lúlia e cinco dos 7 filhos para Lomba Alta e aí mais 4 filhos nasceram.

A partir de 1909 com a estrada um pouco melhor passou a transportar tropas e mercadorias entre São José e Lages. Mais tarde passou a utilizar carretas com 5 animais.

Cada filho homem ao atingir a maioridade, recebia uma carroça com 5 animais e passavam a trabalhar e ganhar para si, embora permanecessem usufruindo da casa dos pais.

No começo da década de 1930, instalou uma serraria, pois ao fazer derrubadas de mato para roças, não era possível queimar ou deixar apodrecer tão nobre madeira, a araucária.

Passou também a dedicar-se à agricultura. Fazia plantações a mais de 3 km de sua residência. Na Serra de São João, a qual chamávamos serra do vovô. É inesquecível quando criança vermos o vovô a cavalo, puxando um fila de 5 a 8 animais amarrados os cabrestos à crina da cauda de dada anima, transportando o produto das roças para Lomba alta.

Pouco mais tarde com a estrada vicinal, já em melhor condição, ao longe ouvíamos o ranger do carro de boi. Lá vinha ele, saíamos para a frente da casa para pedir a bênção do vovô. Ele respondia Deus te abençoe. Sorrindo e abanando a mão, prosseguia em seu trajeto.

Quando já idoso, não conseguindo manter limpa sua plantação de aipim próximo à casa, papai mandou-me junto a outros primos capinarmos a lavoura. La estava o seu Alfredo  acompanhando o trabalho.

Eu já era fumante e lá pelas tantas me afastei para fumar na “privada” distante 100 metros. Quando ia voltando, veio me encontrar sorrindo e dizendo: pode fumar aqui mesmo.

Mais tarde já enfermo, seus netos o visitavam constantemente.

Tinha ele uma afeição muito grande para com os filhos de seus filhos. Sempre dizia que seus pinheiros eram para os netos.

Em 12/05/1951 estava eu estudando em Curitiba quando recebi um telegrama de meu pai informando a morte de vovô. Como no telegrama as palavras não são acentuadas e que a vovó Júlia estava sempre com boa saúde, imaginei a morte do vovô Alfredo. Rezei por ele e escrevi uma carta para meus pais referindo-me ao falecimento dele. Na realidade foi Dona Júlia que morreu. Alguns dias após entramos em férias e retornei à Lomba Alta. E lá já esclarecido fui visitá-lo. Estava na frente da casa e me recebeu chorando e disse “pensavas que eu tinha morrido…”

Alfredo Henrique Wagner foi um homem simples, trabalhador, honesto, bom que viveu na área do atual município de Alfredo Wagner por 60 anos.

31/07/2010

 

 

Altair Wagner.

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