Os leitores devem se lembrar que tratei sobre o Pe. João Alfredo Rohr no artigo O padre que visitou Alfredo Wagner.

Recebi a revista Pesquisas, do Instituto Anchietano de Pesquisas, de Porto Alegre, com a matéria do estudo publicado pelo Pe. João Alfredo Rohr sobre nosso município: O sítio arqueológico de Alfredo Wagner – SC – VI – 13.

O texto integral pode-se solicitar junto ao Instituto no site: http://www.anchietano.unisinos.br/publicacoes/antropologia/anteriores.html ou mesmo adquirir via internet em sebos online.

A matéria publicada pela revista Pesquisas é importantíssima para a história do município pois revela quem foram alguns dos primitivos moradores do município há muitos séculos atrás.

O Achado

Em 1965 o Pe. João Alfredo Rohr foi informado pelo chefe do Setor de Contabilidade Pública do Centro de Treinamento de Estudos contábeis da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Santa Catarina, Dr. Luis Henrique Batista, da existência de um sítio arqueológico com artefatos de madeira e fibra em nosso município, relativamente bem conservados (o que era extremamente raro, como afirma o Pe. Rohr). A informação foi acompanhada de peças encontrados no local, como trançado de fibra de imbé, artefato de madeira em forma de muleta, machado ou raspador de pedra.

O Local

O Pe. Rohr fez uma primeira visita em 1966 e constatou que o local fazia parte de um pântano que fora drenado para utilização do barro na Olaria do Sr. Balcino Matias Wagner.

O material arqueológico é encontrado, particularmente, a sessenta e a oitenta centímetros de profundidade, em meio a uma camada de argila úmida de cor negra, com elevado teor de detritos vegetais decompostos. O sítio assenta sobre rocha arenítica em decomposição, de cor branco-amarelada.

(…)

As condições ecológicas do sítio eram muito favoráveis. Os pinheiros abasteciam a maloca de alimento saio e rico em carboidratos. Ocorrem na região ainda araçás, gravatás, frutas de conde, cerejas silvestres e outras frutas silvestres.

(…)

Quanto à origem do sítio, é plausível que, no lugar do atual banhado, no topo do morro, dentro da mata, existisse na época, uma nascente de água límpida e cristalina. Os índios levantaram acampamento ao lado desta nascente, que abastecia o arraial de água potável. Cuidaram, também, da drenagem, orque a queda na esplanada era pouca.

Coagidos, um dia. a abandonarem o sítio, às pressas, deixaram no local os seus trates de madeira, de fibra e de pedra.

A maloca, coberta com ramos de pinheiro, com cascas e folhas de árvores, acabou ruindo por terra. O telhado caiu sobre o material arqueológico.

(…)

Uma vez cobertos de água e lama, ao abrigo da ação destruidora do oxigênio do ar, a conservação dos artefatos de madeira e de fibra estava garantida.

Assim permaneceu o local até que iniciou-se a retirada de barro para a olaria, permitindo a descoberta de um sítio cujas datações assinalam mais de 3 mil anos soterrado.

A Escavação

O Pe. Rohr e sua equipe iniciaram as escavações em 19 de maio de 1967 e encerraram no dia 31 do mesmo mês. Primeiramente elaborou-se uma detalhada planta do local. Uma área de cento e vinte e oito metros quadrados foi estaqueada com enquadramento de dois em dois metros, cada setor ficou, portanto, com 4 metros quadrados cada.

Durante a escavação encontraram os arqueólogos três camadas com cores nítidas representando os períodos de ocupação.

(…) até a profundidade de oitenta centímetros aparece uma camada de húmus argiloso de cor negra, com elevado teor de detritos orgânicos.

(…) De oitenta a cento e trinta centímetros, temos uma camada de argila himica e plástica de cor amarela-escura, que constituía o fundo do banhado extinto. É rocha decomposta, contendo pequeno teor de detritos orgânicos.

De metro e meio em diante, temos rocha arenítica em decomposição, de cor amarelo-clara, quase branca que constitui o embasamento do sítio.

Material arqueológico

O material arqueológico foi encontrado na camada de terra preta. Ali, a sessenta centímetros de profundidade havia um primeiro nível de ocupação.

(…) Neste nível, o solo estava juncado de centenas de seixos rolados, trazidos do rio; de artefatos de pedra, de fibra e de madeira; de cipós, e paus, alguns de vinte centímetros de espessura, e parte deles, parcialmente, carbonizados pelo fogo. Havia, também, abundantes cascas de árvores.

Entre o material encontrado destacam-se machados, batedores, amoladores, quebra-coquinhos, etc. Entre os artefatos de madeira encontravam-se trançados de fibra de imbé que faziam parte de cestinhas e arcos.

Nesta mesma camada de terra preta, a oitenta centímetros de profundidade, foi encontrado segundo nível de ocupação. Além de vestígios de madeira em decomposição, havia algumas dezenas de cascalhos trazidos do rio e alguns artefatos líticos. Os artefatos deste segundo nível de ocupação, no formato geral, não se afastam muito dos artefatos do nível de sessenta centímetros. Achavam-se, no entanto, em estado muito adiantado de decomposição, esfarelando-se, a maioria deles, ao contato da ferramenta.

Neste nível foi difícil conseguir artefatos carbonizados para a datação radio-ativa. Pacientemente, como ressalta o Pe. Rohr, foram retiradas finas fatias de argila negra e adesiva.

Uma informação importante é acrescentada ao final do capítulo, que permite estabelecer, através de suposições, um período para o acampamento:

Em nenhum dos níveis foi encontrado vestígio de cerâmica.

A revista PESQUISAS Antropologia Nº 17 passa a relacionar os artefatos encontrados no Sítio Arqueológico de Alfredo Wagner SC-VI – 13, mas isto fica para próximo artigo! As peças encontradas em 1967 pelo Pe. João Alfredo Rohr estão no Museu do Homem do Sambaqui catalogadas e arquivadas. Na abertura do site podemos ler a informação:

O Museu do Homem do Sambaqui é um lugar que nos proporciona uma viagem aos longínquos tempos, há mais de quatro mil anos, e nos causa admiração pela presença das descobertas realizadas pelo padre e pesquisador jesuíta João Alfredo Rohr, SJ. O Museu guarda e cuida com carinho um rico material histórico, educativo e acadêmico; tudo o que é exposto torna-se um instrumento mediador de educação, aprendizagem e conhecimento, tanto para crianças e jovens que iniciam seus estudos, como para os que se encontram em etapas mais avançadas de estudo, como os graduandos, professores e pesquisadores.

 

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