O título da matéria chama a atenção, não é verdade? E você, certamente, gosta muito da Catuíra e de seu povo simpático e trabalhador, de suas festas, dos amigos e parentes que todos temos por lá. A história, entretanto, nos revela um lado, as vezes, nada simpático. Vamos conhecê-la?

A comunidade da Catuíra, (conhecida com este nome a partir dos anos 1910/1920) ocupa uma pequena área do que foi anteriormente a Colonia Militar Santa Thereza, fundada em 1853.

Por aqueles anos, a capital da Província de Santa Catarina, Nossa Senhora do Desterro, estava isolada do Planalto Serrano, tendo acesso a ele somente pelo Sul do Estado ou através de Curitiba. Entretanto centenas de tropeiros faziam o perigoso trajeto da Capital a Lages através de trilhas e caminhos íngremes e difíceis.

Dom Pedro II teve um gesto importantíssimo para o desenvolvimento do estado catarinense.

Primeiramente vamos voltar no tempo…

1845 o ano em que o Imperador Dom Pedro II completou 19 anos, mais precisamente no dia 13 de Setembro, ele afirmou: “Vou conhecer o meu país”. Algumas semanas depois embarcou no vapor Imperatriz e chegou a Desterro, cumprindo uma extensa agenda cultural, política, religiosa e social. Seu objetivo era chegar em Caldas do Cubatão, hoje Santo Amaro da Imperatriz. Você pode ler sobre a visita imperial neste link: http://monarquista.com.br/visita-imperial-a-santa-catarina/ O nosso Imperador ficou frente a frente com a Serra Catarinense, inóspita, cheia de perigos mas com muitas trilhas e caminhos frequentados por tropeiros e viajantes que subiam para Lages. Com certeza, foi ali que nasceu a ideia de criar um ponto de apoio a meio caminho para que os viajantes fizessem uma viagem mais segura.

Esta ideia tornou-se realidade em 8 de novembro de 1853 quando o Imperador Dom Pedro II assinou o decreto nº 1266, criando a Colonia Militar que foi instalada em Janeiro do ano seguinte aos pés do Morro do Trombudo. Alguns meses depois, foi a Colonia transferida para as margens do Rio Itajaí do Sul, possuindo quase 20 quilômetros de extensão, abrangendo boa parte do atual município de Alfredo Wagner.

A importância desta Colonia, como vislumbrava nosso Imperador, era enorme!

Podemos dizer, sem errar, que havia uma tolerância, por parte dos índios com relação aos brancos que iam se fixando nestas terras íngremes. Porém, os renegados e condenados fugitivos se misturavam com os índios e os atiçavam contra seus próprios conterrâneos, buscando no roubo e no assassinato a vingança por terem sido condenados por seus crimes.

Os viajantes e tropeiros que percorriam o caminho Desterro/Lages, encontravam na Colonia Militar um ponto de apoio e proteção contra os ataques dos renegados e dos índios.

A Colônia Militar Santa Thereza foi importantíssima, também para o desenvolvimento da região, pois dela nasceram Ituporanga, Imbuia, Bom Retiro, Leoberto Leal…

Ela foi importante, também para que o próprio Estado de Santa Catarina, tivesse a fisionomia que tem hoje pois foi essencial para a ligação Planalto Serrano e o Litoral.

Minha paciente leitora está a se perguntar: Onde o Mauro quer chegar com toda esta história! Ele deveria falar sobre o pessoal que não gosta da Catuíra e em vez disso dá um passeio pela história!

A história é mestra da vida!

Desterro e as freguesias que faziam parte da Província, começaram a receber tropas e mantimentos e a comercializar seus produtos com o Planalto com mais rapidez pois a viagem demorou menos tempo. Aos poucos a Colonia Militar foi recebendo mais gente, chegando a mais de 400 famílias no final do Império. Os produtos de Santa Thereza não eram comercializados apenas na capital, Desterro, mas seguiam também para o Rio de Janeiro e São Paulo, prática que continuou depois ao longo dos anos.

Porém… havia gente que não gostou, nada, nada! Criticou a instalação e manutenção da Colonia Militar e, como na época, havia liberdade de imprensa, destilavam todo vocabulário de maledicências e deboches contra o desenvolvimento da povoação.

Era tal a importância da Colônia Militar que frequentemente era notícia na imprensa catarinense. Podemos afirmar que Santa Thereza teve mais publicidade que o atual município.

Vamos pegar apenas um exemplo, de 1856, portanto, 3 anos após a criação e dois anos depois da instalação da Colônia. Chamo a atenção para a familiaridade com que se fala da Colônia:

Não pretendo publicar tudo que encontrei dos malevolentes comentários sobre a Colonia Militar Santa Thereza, mas os leitores poderão acessar a Hemeroteca Nacional e lá fazer uma pesquisa completa sobre o tema.