O Sitio Arqueológico de Alfredo Wagner

Redator : setembro 29, 2017 9:02 pm : Belezas de Alfredo Wagner/SC, Cultura, História, notícia

Os leitores devem se lembrar que tratei sobre o Pe. João Alfredo Rohr no artigo O padre que visitou Alfredo Wagner.

Recebi a revista Pesquisas, do Instituto Anchietano de Pesquisas, de Porto Alegre, com a matéria do estudo publicado pelo Pe. João Alfredo Rohr sobre nosso município: O sítio arqueológico de Alfredo Wagner – SC – VI – 13.

O texto integral pode-se solicitar junto ao Instituto no site: http://www.anchietano.unisinos.br/publicacoes/antropologia/anteriores.html ou mesmo adquirir via internet em sebos online.

A matéria publicada pela revista Pesquisas é importantíssima para a história do município pois revela quem foram alguns dos primitivos moradores do município há muitos séculos atrás.

O Achado

Em 1965 o Pe. João Alfredo Rohr foi informado pelo chefe do Setor de Contabilidade Pública do Centro de Treinamento de Estudos contábeis da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Santa Catarina, Dr. Luis Henrique Batista, da existência de um sítio arqueológico com artefatos de madeira e fibra em nosso município, relativamente bem conservados (o que era extremamente raro, como afirma o Pe. Rohr). A informação foi acompanhada de peças encontrados no local, como trançado de fibra de imbé, artefato de madeira em forma de muleta, machado ou raspador de pedra.

O Local

O Pe. Rohr fez uma primeira visita em 1966 e constatou que o local fazia parte de um pântano que fora drenado para utilização do barro na Olaria do Sr. Balcino Matias Wagner.

O material arqueológico é encontrado, particularmente, a sessenta e a oitenta centímetros de profundidade, em meio a uma camada de argila úmida de cor negra, com elevado teor de detritos vegetais decompostos. O sítio assenta sobre rocha arenítica em decomposição, de cor branco-amarelada.

(…)

As condições ecológicas do sítio eram muito favoráveis. Os pinheiros abasteciam a maloca de alimento saio e rico em carboidratos. Ocorrem na região ainda araçás, gravatás, frutas de conde, cerejas silvestres e outras frutas silvestres.

(…)

Quanto à origem do sítio, é plausível que, no lugar do atual banhado, no topo do morro, dentro da mata, existisse na época, uma nascente de água límpida e cristalina. Os índios levantaram acampamento ao lado desta nascente, que abastecia o arraial de água potável. Cuidaram, também, da drenagem, orque a queda na esplanada era pouca.

Coagidos, um dia. a abandonarem o sítio, às pressas, deixaram no local os seus trates de madeira, de fibra e de pedra.

A maloca, coberta com ramos de pinheiro, com cascas e folhas de árvores, acabou ruindo por terra. O telhado caiu sobre o material arqueológico.

(…)

Uma vez cobertos de água e lama, ao abrigo da ação destruidora do oxigênio do ar, a conservação dos artefatos de madeira e de fibra estava garantida.

Assim permaneceu o local até que iniciou-se a retirada de barro para a olaria, permitindo a descoberta de um sítio cujas datações assinalam mais de 3 mil anos soterrado.

A Escavação

O Pe. Rohr e sua equipe iniciaram as escavações em 19 de maio de 1967 e encerraram no dia 31 do mesmo mês. Primeiramente elaborou-se uma detalhada planta do local. Uma área de cento e vinte e oito metros quadrados foi estaqueada com enquadramento de dois em dois metros, cada setor ficou, portanto, com 4 metros quadrados cada.

Durante a escavação encontraram os arqueólogos três camadas com cores nítidas representando os períodos de ocupação.

(…) até a profundidade de oitenta centímetros aparece uma camada de húmus argiloso de cor negra, com elevado teor de detritos orgânicos.

(…) De oitenta a cento e trinta centímetros, temos uma camada de argila himica e plástica de cor amarela-escura, que constituía o fundo do banhado extinto. É rocha decomposta, contendo pequeno teor de detritos orgânicos.

De metro e meio em diante, temos rocha arenítica em decomposição, de cor amarelo-clara, quase branca que constitui o embasamento do sítio.

Material arqueológico

O material arqueológico foi encontrado na camada de terra preta. Ali, a sessenta centímetros de profundidade havia um primeiro nível de ocupação.

(…) Neste nível, o solo estava juncado de centenas de seixos rolados, trazidos do rio; de artefatos de pedra, de fibra e de madeira; de cipós, e paus, alguns de vinte centímetros de espessura, e parte deles, parcialmente, carbonizados pelo fogo. Havia, também, abundantes cascas de árvores.

Entre o material encontrado destacam-se machados, batedores, amoladores, quebra-coquinhos, etc. Entre os artefatos de madeira encontravam-se trançados de fibra de imbé que faziam parte de cestinhas e arcos.

Nesta mesma camada de terra preta, a oitenta centímetros de profundidade, foi encontrado segundo nível de ocupação. Além de vestígios de madeira em decomposição, havia algumas dezenas de cascalhos trazidos do rio e alguns artefatos líticos. Os artefatos deste segundo nível de ocupação, no formato geral, não se afastam muito dos artefatos do nível de sessenta centímetros. Achavam-se, no entanto, em estado muito adiantado de decomposição, esfarelando-se, a maioria deles, ao contato da ferramenta.

Neste nível foi difícil conseguir artefatos carbonizados para a datação radio-ativa. Pacientemente, como ressalta o Pe. Rohr, foram retiradas finas fatias de argila negra e adesiva.

Uma informação importante é acrescentada ao final do capítulo, que permite estabelecer, através de suposições, um período para o acampamento:

Em nenhum dos níveis foi encontrado vestígio de cerâmica.

A revista PESQUISAS Antropologia Nº 17 passa a relacionar os artefatos encontrados no Sítio Arqueológico de Alfredo Wagner SC-VI – 13, mas isto fica para próximo artigo! As peças encontradas em 1967 pelo Pe. João Alfredo Rohr estão no Museu do Homem do Sambaqui catalogadas e arquivadas. Na abertura do site podemos ler a informação:

O Museu do Homem do Sambaqui é um lugar que nos proporciona uma viagem aos longínquos tempos, há mais de quatro mil anos, e nos causa admiração pela presença das descobertas realizadas pelo padre e pesquisador jesuíta João Alfredo Rohr, SJ. O Museu guarda e cuida com carinho um rico material histórico, educativo e acadêmico; tudo o que é exposto torna-se um instrumento mediador de educação, aprendizagem e conhecimento, tanto para crianças e jovens que iniciam seus estudos, como para os que se encontram em etapas mais avançadas de estudo, como os graduandos, professores e pesquisadores.

 

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Fazenda Campinho onde o silêncio é terapeutico

Redator : setembro 28, 2017 11:22 am : Belezas de Alfredo Wagner/SC, notícia, Turismo

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Semana da Pátria 2017

Redator : setembro 3, 2017 8:11 pm : Belezas de Alfredo Wagner/SC, Cultura, notícia, Sociedade

Cronograma Semana da Pátria 2017

Escola e Família – Semeando Paz e Amor

 

Segunda-feira – 04/09 – Abertura da Semana da Pátria

9:00h – Apresentação da Fanfarra na Praça da Bandeira

9:30h – Abertura da Semana da Pátria nas escolas com hasteamento da Bandeira e execução do Hino da Independência.

9:45h – Contação de histórias – Projeto Sesc – Educação Infantil

10:00h – Início do Projeto de Educação Física – Vaquinha Parada

Terça-feira – 05/09 – Atletismo Escolar no Parque de Exposições – Futsal e Voleibol no Ginásio Rogerão

8:30h – Início das competições das turmas do matutino – Parque de exposições

8:30h – Início dos jogos – Ginásio Rogerão

9:00h – Início do Projeto de Educação Nutricional – Biscoitinho de Cebola

13:30h – Início das competições das turmas do vespertino – Parque de exposições

13:30h – Início dos jogos – Ginásio Rogerão

Quarta-feira – 06/09 – Apresentação da Fanfarra nas Escolas Municipais

9:00h – Apresentação da Fanfarra e ensaio do Desfile Cívico na E.B. Passo da Limeira

10:30h – Apresentação Da Fanfarra e ensaio do Desfile Cívico na E.R. Balcino Matias Wagner

14:30h – Apresentação da Fanfarra e ensaio do Desfile Cívico na E.B. Passo da Limeira

16:00h – Apresentação Da Fanfarra e ensaio do Desfile Cívico na E.R. Balcino Matias Wagner

Quinta-feira – 07/09 – Desfile Cívico

08:00h – Caminhadas e Corridas

08:45h – Premiação

09:15 – Apresentação Cultural e Artística

09:45 – DESFILE CÍVICO

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A Capital das Nascentes no Instagram

Redator : agosto 27, 2017 6:46 pm : Belezas de Alfredo Wagner/SC, Fotografia, notícia

O surgimento das redes sociais possibilitou a divulgação de uma infinidade de temas e assuntos. O Jornal Capital das Nascentes participa de algumas destas redes, sendo o Facebook onde divulgamos as postagens realizadas neste site.

O Instagram é uma rede onde também estamos presentes, com um diferencial: a rede é usada para divulgar a história e as belezas da Capital Catarinense das Nascentes.

Arqueologia, história, personagens, belezas, panoramas, etc são os temas das fotografias que lá são postadas. As fotografias são tiradas por Mauro Demarchi, mas com a devida autorização, já publicamos clicks de outros fotógrafos. E você, tem Instagram? Já adicionou https://www.instagram.com/jornalcapitaldasnascentes ou curtiu nossas postagens? Então, acesse o link e comece já!

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Os Ipês da minha terra

Redator : agosto 26, 2017 11:38 pm : Belezas de Alfredo Wagner/SC, Cultura, Fotografia, notícia

Quando o inverno vai caminhando para o fim, quando as temperaturas extremas vão dando lugar a um calorzinho aconchegante, os Ipês florescem. Em fins de Agosto, florescem os ipês, trazendo uma nota de alegria e bem estar. Quanto mais frio o inverno e seco, mais possibilidades do pé carregar de flores.

Esta árvore da floresta tropical e temperada encontra-se por todo o Brasil em suas variantes dourada. lilás, branco e vermelho (exemplares desta cor, raros, foram avistados na Floresta Amazônica). É uma planta que possui os dois sexos, portanto, ela pode, se estiver sozinha num campo ou mata, reproduzir-se e recomeçar um bosque. O Ipê, também gosta de solo úmido, mas não encharcado, plano com pouca declividade.

Em inglês tem um nome muito característico: golden trumpet – trompete dourado. A flôr de um arbusto também tem este nome, mas, sem exagerar, o nome calha melhor para o nosso Ipê.

Os ipês que ornam a praça (como nós alfredenses chamamos o centro administrativo, financeiro, comercial e político de Alfredo Wagner) foram plantados por um bisneto do Patrono do Município Juliano Norberto Wagner que, à época, era vice-prefeito. Hoje, as árvores estão florindo, embelezando a Capital Catarinense das Nascentes.

Vá lá ver! É um espetáculo floral lindo de se ver mas que dura pouco tempo!

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Aventure-se!

Redator : agosto 24, 2017 10:10 pm : Belezas de Alfredo Wagner/SC

Explore, Aventure-se e viva esta adrenalina!
O relevo montanhoso da região de Alfredo Wagner é um convite para os amantes do MTB!
No vídeo imagens da região da Pedra Branca e Santa Barbara, encostas da serra no extremo norte da serra geral!

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“Espero que vivas muitas aventuras ao lado de Eva!”

Redator : agosto 13, 2017 12:08 am : Belezas de Alfredo Wagner/SC, Cultura, História, Memória, notícia

É impossível não gostar da pequena Eva personagem principal do livro de Carol Pereira: “As aventuras de Eva Schneider” lançado recentemente no I Festival de Inverno de Alfredo Wagner.

A pequena é aventureira, corajosa, inteligente, destemida… lembrou alguém?? Sim, a autora se retrata e transmite seu espirito aventureiro pelas páginas do livro.

A primeira aventura a leva conhecer o “Terrível Martinho Bugreiro”.

Este personagem da nossa história, meio bugre, cujos pais foram mortos pelos índios quando ele ainda era pequeno, nutria um ódio mortal pela etnia xokleng. Ele foi contratado pelo governo Republicano para dizimar com o povo indígena. Como era meio bugre, ele conhecia todos os hábitos e costumes dos índios e sabia como agir. O povo indígena que habitava a Serra Catarinense e o Planalto Serrano tinha origem em uma guerra fratricida. Há muitos anos atrás três ramos sobreviviam por estas terras. Um deles mudou-se para o Rio Grande do Sul e muitos séculos depois se miscigenou com os portugueses. Os dois ramos que permaneceram, um ficou na região de Lages e outro foi para a região de Blumenau. Num determinado momento da história destes povos, os índios da região lageana emboscaram os que moravam mais próximos do litoral matando, sem piedade, todos os homens da grande tribo, levando com eles as mulheres e as crianças. Talvez conhecedor deste fato, não sabemos, mas o que se sabe é que Martinho Bugreiro agia da mesma forma. Matava os índios, deixando as mulheres e suas crianças. Seu modo de agir era em tudo semelhante aos indígenas. Acompanhavam a presa sem que a mesma tomasse conhecimento que era seguida. Deixava que adormecessem… então atacava. Um de seus homens, certa vez, abusou de uma índia. Segundo contam, o próprio Martinho Bugreiro executou a sentença de morte após julgamento sumário.

Isto que eu contei não está no livro da Carol Pereira… não, eu não iria estragar o seu prazer em ler o primeiro capítulo.

O segundo capítulo fala do tesouro escondido no Campo dos Padres. Essa região, da qual Alfredo Wagner faz parte, é uma enorme extensão com as maiores altitudes da Serra Geral no Sul. Em algum lugar destas montanhas altaneiras, quando fugitivos do governo do Marques de Pombal, os Jesuítas esconderam (diz a lenda) um tesouro… e uma das aventura da Carol (digo Eva Schneider…) foi descobrir onde estava enterrado. Uma aventura que me fez pensar… será que alguma coisa não era realidade?

O terceiro capítulo desta emocionante aventura, tem um dedinho meu… No desenho que abre o capítulo (e na capa do livro também), aparece a figura de um soldado da década de 1850. Pintei digitalmente este desenho, utilizando outro feito a bico de pena que encontrei na internet. O Soldadinho é o nosso Santo. Ele tem uma história muito triste que é contada de geração em geração, mas se desconhece o seu verdadeiro nome, origem e família. Numa noite gelada, contam os antigos, um pelotão fugido de Desterro se encontravam na Estrada das Demoras, perto da Colônia Militar Santa Thereza, quando a nevasca aumentou. Um soldado, já doente, foi ficando para trás. Quando os seus companheiros chegaram no destino notaram que ele não estava junto deles. Voltaram até uma certa altura, mas era tanta neve que tiveram que desistir das buscas. No dia seguinte, encontraram o soldadinho morto congelado, tentando acender um maço de palha para se aquecer. Ali mesmo o enterraram e começaram as peregrinações ao túmulo que foi sendo, ao longo do tempo, reformado e melhorado. O local conhecido como Soldadinho, já foi mais visitado, até que um padre, disse que o corpo do soldado não estava mais lá, que tinha sido levado pelos familiares. De onde ele tirou essa informação, nunca disse. O certo é que após este dia os devotos foram escasseando. Hoje ainda vai gente lá rezar e pedir as graças ao Soldadinho.

Não vou analisar cada capítulo, não… mas convido o leitor a conhecer:

  • O presente da Imperatriz
  • O amigo Katze
  • Quebra Dentes e a lenda do tesouro inca
  • Lembranças de uma tarde chuvosa
  • O reencontro
  • A cobra e a bruxa
  • A erva rejeitada por Deus
  • Eterna em seu coração
  • O enigma da ponte
  • Der geburtstag, ostern e o Nego Tony
  • Retorno às raizes
  • Antes do presente
  • O mistério da bica-d´água
  • Lar é onde estou com vocês
  • A casa mal-assombrada
  • As bruxas da Ilha de Santa Catarina
  • O final do segredo
  • A arca de Tutankâmon – I e II
  • Dou graças

Eu me encantei com os personagens e a escolha de cada um. Sabu e Ceci, preferiram morar com Tio Albert e Tia Matilda apesar de sentiram atração pela volta à vida indígena. O Frei Angelo, um verdadeiro homem de Deus. Até a papagaio bijuca é encantador.

Leia o livro! Tenho certeza que você vai gostar! Depois me diz se eu não tinha razão…

 

 

 

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