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O rombo das estatais no governo Lula 3

Jornalista Mauro Demarchi, 20/10/202521/10/2025

As estatais federais (excluindo Petrobras e bancos públicos) registraram um déficit primário de R$ 18,5 bilhões no terceiro mandato de Lula — o maior da série histórica, segundo dados do Banco Central.

Especialistas apontam três fatores principais para esse resultado:

  1. Uso político das estatais – Nomeações de aliados, aumento de cargos comissionados, gastos com publicidade e investimentos sem retorno imediato, especialmente em programas com viés político como o PAC.
  2. Gestão ineficiente e baixa competência técnica – Falta de preparo nas diretorias e conselhos, decisões administrativas equivocadas e dependência crescente de subsídios e empréstimos, como no caso dos Correios, que solicitaram R$ 20 bilhões para se manter.
  3. Cenário econômico e pressão fiscal – Custos elevados, inflação, energia cara e impactos internacionais nos preços, somados ao novo regime fiscal que pressiona o orçamento (fim do Teto de Gastos e entrada do Arcabouço Fiscal).

Empresas como CBTU, Embrapa, Infraero e a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares também acumulam prejuízos. Já o Banco do Brasil sofre com queda de lucro por inadimplência no agronegócio e juros altos.

A economista Elena Landau, que atuou como ex-diretora de privatizações do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), afirma que os resultados contam com uma raiz mais profunda, que escapa do panorama macroeconômico.

“Os Correios são um caso impressionante. Um estudo de caso, tamanho o descalabro que aconteceu.” afirma ela. “São escolhas da administração, de gastar em propaganda, de gastar em pessoal, de gastar fazendo obras que não lhe dizem respeito.”

Economistas destacam que, ao contrário das primeiras gestões de Lula — favorecidas por superávit herdado e boom das commodities —, as atuais estatais enfrentam baixo desempenho, margem reduzida, endividamento e dificuldade de adaptação à nova economia digital.

“São empresas que muitas vezes tem baixa competitividade e depende de uma receita não recorrente. Quando a gente fala agora da questão não estrutural, mais conjuntural, a gente pode falar que tem uma grande gerência política nas suas estatais, que tem uma série de nomeações sem qualificação, especialmente em termos de conselho”, afirma o economista-chefe da Lev Asset Management, Jason Vieira.

A percepção comum entre os analistas é clara: as estatais estão sendo tratadas mais como instrumentos políticos do que como empresas que precisam dar resultado.

Tempo de leitura3 min

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