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Por que Alfredo Wagner sofre com quedas de luz se SC produz tanta energia?

Jornalista Mauro Demarchi, 11/01/202611/01/2026

Alfredo Wagner é conhecida como a “Capital Catarinense das Nascentes” e está no coração de um estado que é referência em geração de energia hidrelétrica. No entanto, para o morador do campo ou da cidade, a realidade muitas vezes é marcada pela instabilidade: oscilações de tensão e apagões frequentes.

A pergunta que fica é: se temos tantas barragens e usinas, por que a luz ainda cai tanto?

A resposta curta é que o problema não está na falta de energia produzida, mas sim no caminho que ela percorre até chegar à sua tomada. Entenda os principais motivos dessa vulnerabilidade:

1. O gargalo da distribuição e transmissão

Embora Santa Catarina gere muita energia, a infraestrutura de transporte (linhas de transmissão e redes de distribuição) é antiga. Em regiões como Alfredo Wagner, onde o relevo é acidentado e a área rural é vasta, a rede é composta por postes e cabos que nem sempre suportam as demandas modernas ou o rigor do tempo.

  • Redes Frágeis: Muitos cabos ainda são de tecnologia antiga e sofrem com a oxidação ou desgaste natural.
  • Falta de Redundância: Em muitas áreas, se uma linha principal cai, não há um “caminho alternativo” automático para a energia chegar, resultando em apagões prolongados.

2. O desafio geográfico e climático

O clima de Santa Catarina é um dos mais instáveis do Brasil. Por estar na rota de ciclones extratropicais, frentes frias e temporais de verão, o estado (e especialmente a região serrana) sofre danos físicos constantes na rede.

“O problema não é a usina parar de girar, é uma árvore cair sobre o cabo que leva essa energia até a cidade.”

Ventos fortes e descargas elétricas causam o rompimento de fios e a queima de transformadores, exigindo equipes de campo que, muitas vezes, enfrentam dificuldades de acesso devido às estradas e à geografia da região.

3. A ilusão das “muitas hidrelétricas”

É verdade que SC possui cerca de 268 hidrelétricas, mas a conta engana. A grande maioria (mais de 250) são Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) ou Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGHs).

  • Pequeno Porte: Elas não possuem grandes reservatórios e dependem diretamente do nível dos rios.
  • Instabilidade: Em épocas de seca ou de chuvas extremas que exigem abertura de comportas, essas pequenas usinas não conseguem estabilizar o sistema sozinhas, servindo apenas como suporte local e não como uma garantia de fornecimento contínuo para o estado todo.

4. Urbanização e sobrecarga

Cidades vizinhas e polos industriais próximos a Alfredo Wagner cresceram rapidamente. O aumento do uso de ar-condicionado, máquinas agrícolas modernas e eletrodomésticos sobrecarregam transformadores que foram dimensionados para uma demanda de 20 ou 30 anos atrás. Isso causa as famosas oscilações de tensão, que podem danificar aparelhos eletrônicos.

Resumo do Cenário

CausaImpacto em Alfredo Wagner
Infraestrutura AntigaRompimentos frequentes e curtos-circuitos.
Eventos ClimáticosQuedas de postes por ventos e raios.
Manutenção DifícilDemora no restabelecimento em áreas remotas.
Perfil das UsinasDependência de grandes linhas que vêm de fora.

📍 As regiões mais atingidas por apagões em SC

Embora Alfredo Wagner sofra com a instabilidade rural, os apagões em Santa Catarina seguem padrões geográficos distintos:

  • Litoral Norte e Vale do Itajaí: Cidades como Itapema, Porto Belo, Bombinhas e Blumenau sofrem principalmente no verão. O aumento explosivo da população (turismo) somado ao calor extremo sobrecarrega as subestações.
  • Oeste e Meio-Oeste: Regiões como Chapecó e Concórdia enfrentam quedas frequentes devido à grande extensão de redes rurais expostas a vendavais e à distância das grandes usinas.
  • Planalto Serrano e Grande Florianópolis (Angelina, Alfredo Wagner, Rancho Queimado): O maior vilão aqui é o clima e o relevo. Ventos de altitude e tempestades isoladas derrubam árvores sobre redes que cruzam vales e montanhas de difícil acesso.

🛠️ O que está sendo feito (e o que falta) para melhorar

A boa notícia é que Santa Catarina está no meio do maior plano de investimentos da história da Celesc (R$ 4,5 bilhões até 2026). Para resolver o problema definitivamente, as ações principais são:

  1. Redes de Cabos Protegidos: Substituir os fios nus por cabos compactos e isolados, que não entram em curto se um galho de árvore encostar neles.
  2. Celesc Rural (Trifásico): Instalação de centenas de quilômetros de rede trifásica para suportar motores e máquinas agrícolas sem derrubar a tensão da vizinhança.
  3. Digitalização da Rede (Smart Grid): Instalação de religadores automáticos. Eles detectam o problema e “isolam” o trecho com defeito, evitando que uma cidade inteira fique sem luz por causa de um único poste batido.
  4. Aumento de Subestações: Construção de novas unidades para diminuir a carga das atuais, reduzindo as “piscadas” de luz por sobrecarga.

🛡️ Como proteger seus aparelhos das oscilações

Enquanto a rede não atinge a estabilidade ideal, você pode evitar prejuízos financeiros com algumas medidas práticas:

Dispositivos Essenciais

  • DPS (Dispositivo de Proteção contra Surtos): É o “salva-vidas” mais importante. Pode ser instalado diretamente no seu quadro de luz (protege a casa toda) ou ser usado via tomadas individuais (tipo iClamper). Ele desvia o excesso de voltagem de um raio para o terra.
  • Nobreak (UPS): Ideal para computadores, roteadores e sistemas de segurança. Ele mantém o aparelho ligado por alguns minutos, tempo suficiente para você desligar tudo com segurança e evitar queima de HDs.
  • Filtros de Linha de Qualidade: Atenção: réguas de tomada baratas são apenas “extensões”. Um filtro de linha real possui componentes que limpam o ruído elétrico.

Dicas de Ouro

  1. O aterramento é a base: Sem um fio terra bem feito, o DPS não tem para onde enviar a sobrecarga. Verifique sua instalação elétrica.
  2. Regra do temporal: Se o céu fechou e os raios começaram, tire da tomada os itens mais caros (TVs, geladeiras modernas, computadores). O raio pode viajar até pelo cabo da internet ou da antena.
  3. Ressarcimento: Sabia que se um aparelho queimar por falha na rede, você tem até 90 dias para pedir ressarcimento à Celesc? Guarde o aparelho e não tente consertar antes da perícia da concessionária.

Conclusão

O cenário de Alfredo Wagner e de SC é de transição. Temos energia de sobra nas usinas, mas uma “estrada” (redes) que ainda está sendo duplicada e pavimentada para aguentar o nosso crescimento e as mudanças climáticas.

Tempo de leitura6 min

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