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No campo da vida espiritual, muitos sofrem de uma “amnésia” seletiva. Recebem orientações preciosas, identificam seus defeitos e saem com o firme propósito de mudar, mas, no primeiro embate com a rotina, a “receita” se perde entre os papéis do cotidiano. O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, em conferência de 1989, propôs uma solução tão antiga quanto eficaz: o pacto de auxílio mútuo com as Almas do Purgatório.
Santo Afonso e o Purgatório
“A devoção às almas do purgatório é muito agradável ao Senhor, e utilíssima ao que a pratica. Jesus Cristo ama imensamente estas suas esposas e suspira pelo momento em que as possa estreitar contra o peito; e as santas prisioneiras mostrar-se-ão gratas para aquele que lhes obtém o livramento do seu cárcere ou ao menos algum alívio nas suas penas. Sufraguemos, pois, constantemente as almas do purgatório, particularmente neste mês e neste dia consagrados à sua memória.” – Santo Afonso Maria de Ligório
O Círculo Vicioso do Esquecimento
Muitas vezes, a alma se comporta como um paciente que sai do consultório médico e joga a receita no lixo antes de chegar à farmácia. O conhecimento do remédio existe, mas a aplicação falta. Para quebrar esse ciclo de boas intenções que não se transformam em atos, o Prof. Plinio sugere que não confiemos apenas em nossa memória, mas em auxiliares que não falham.
O Caso do “Amigo Relaxado”
Um dos momentos mais marcantes do relato é a história de um amigo de Plinio, a quem ele descreveu como um “católico relaxado”. Este homem sofria de uma dificuldade crônica para acordar cedo e duvidava que uma promessa de orações pudesse ter um efeito físico e imediato sobre seu sono.
Ao ser desafiado a fazer a experiência, o amigo retornou dias depois com um sorriso cínico, mas impressionado. Ele confessou que esperava um auxílio esporádico, mas a pontualidade das almas foi implacável: “A partir do momento em que eu comecei a rezar para elas, sempre, sempre, na hora marcada eu acordava!”. Este fato serviu para demonstrar que a relação com as almas é real e operante, funcionando como um compromisso de honra entre os dois mundos.
A Genuflexão de Santa Teresa de Jesus
Se o exemplo do amigo trouxe leveza, o relato sobre Santa Teresa de Jesus, a Grande, trouxe a dimensão da seriedade da vida espiritual. Plinio recordou uma revelação recebida por uma santa contemporânea de Teresa na hora de sua morte.
Embora Santa Teresa tenha morrido de um ímpeto de amor divino tão forte que “seu coração se partiu”, a visão mostrou sua alma subindo à presença de Deus, mas sendo ordenada a passar pelo Purgatório. Segundo o relato, ela desceu para fazer apenas uma genuflexão naquele fogo purificador antes de subir definitivamente ao Céu.
“Esta era a grande Santa Teresa! Como vai ser conosco?”, questionou Plinio.
As Almas como Despertadores da Consciência
A relação com as Almas do Purgatório é apresentada sob um prisma de caridade e utilidade prática. O raciocínio é simples e baseado em experiências pessoais compartilhadas na reunião:
- O Pacto do Despertar: Pedir às almas que nos acordem em horários específicos. Se elas cumprem a missão de nos tirar do sono físico, quanto mais podem nos tirar do “sono da alma”.
- O Pacto dos Novíssimos: O ponto alto da recomendação é pedir que as almas nos recordem, várias vezes ao dia, dos Novíssimos do Homem (Morte, Juízo, Céu e Inferno). Ter esses conceitos em mente, especialmente ao acordar e ao deitar, é o antídoto contra o pecado e o vício.
- A Retribuição: Em troca desse “serviço de alerta”, o fiel compromete-se a rezar por elas (Ave-Marias, Rosários ou oferecendo a Comunhão). É uma troca de benefícios: nós abreviamos o sofrimento delas no fogo purificador, e elas nos auxiliam a não cairmos no fogo eterno.
A Gravidade do Purgatório
O prof. Plínio faz um alerta severo: o Purgatório não é um lugar de sofrimento leve. Citando o exemplo de Santa Teresa de Jesus — que, segundo relatos, teria passado pelo purgatório por um breve instante apenas para uma genuflexão, apesar de sua santidade — o autor nos recorda que quase todos passaremos por lá.
Portanto, rezar pelas almas é uma obra de caridade eminente. Plinio compara a omissão da prece ao ato de passar por uma fábrica e ver um operário cair em um forno alto e não fazer nada para ajudá-lo, sabendo que se tem o poder de retirá-lo de lá através da oração.
O Pacto de Retribuição
Esses fatos sustentam a conclusão prática da reunião proferida pelo prof. Plínio Correa de Oliveira: as almas são aliadas fiéis. Elas nos acordam para o dever e nos lembram da eternidade, mas esperam a retribuição. “Se a pessoa não reza, está tudo desfeito”, alertou o professor. O sucesso dessa “aliança espiritual” depende da fidelidade do fiel em oferecer sufrágios — como as três Ave-Marias sugeridas — para abreviar o sofrimento daquelas que já estão salvas, mas que ainda aguardam o encontro definitivo com Deus.
Conclusão: Uma Ajuda Esplêndida
A recomendação final é de um pragmatismo cristão admirável: como não podemos ter um monitor humano 24 horas por dia nos lembrando de nossa salvação, devemos recorrer àquelas que já estão confirmadas em graça e que desejam ardentemente a nossa companhia no Céu.
Recorrer às Almas do Purgatório é, portanto, o “fácil para conseguir o precioso”. É uma via de mão dupla que une a Igreja Militante (nós) e a Igreja Padecente (elas) em direção à Igreja Triunfante.
Este texto resume as lições de Plinio Corrêa de Oliveira sobre a devoção às almas como ferramenta de combate aos defeitos pessoais.
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