As autoridades ambientais de Florianópolis estão em corrida contra o tempo para conter a proliferação da rã-touro (Aquarana catesbeiana), uma espécie exótica invasora de alto risco. Identificada originalmente no bairro Ratones, no Norte da Ilha, a presença do anfíbio mobiliza a Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram) e a UFSC em um esforço de monitoramento e conscientização.
Como o inverno se aproxima e esses animais tendem a se esconder no frio, o momento é estratégico para munir a população de informações, preparando a comunidade para identificar os sinais do invasor.
Por que a rã-touro é uma ameaça real?
A rã-touro ocupa o topo do alerta ambiental em Santa Catarina (Categoria 1). O tamanho avantajado e o comportamento generalista a transformam em uma competidora desleal para a fauna nativa.
- Predadora implacável: Alimenta-se de praticamente tudo o que consegue engolir, incluindo peixes, répteis, pequenos mamíferos e outros anfíbios locais.
- Vetor de doenças: A espécie é portadora potencial de patógenos graves, como o ranavírus e o fungo causador da quitridiomicose, que podem dizimar populações de peixes e sapos nativos.
- Histórico de fuga: Originária da América do Norte, foi trazida ao Brasil em 1935 para fins comerciais (ranários). Com o abandono da atividade, espalhou-se pela natureza, tornando-se uma das piores espécies invasoras do mundo.
“Quando uma espécie exótica é identificada logo no início, é possível mapear sua ocorrência e tomar decisões fundamentadas em parceria com a comunidade”, destaca Fábio Henrique Machado, presidente da Floram.
Linha do tempo da invasão em Ratones
Embora relatos de moradores sugiram que o animal já habitava a região há mais tempo, os registros oficiais são recentes:
- Outubro de 2025: Primeiro registro oficial da rã-touro em uma propriedade em Ratones.
- Novembro de 2025: Primeira ação de campo resulta na captura de 10 espécimes (7 adultos e 3 juvenis).
- Março de 2026: Nova ação registra a captura de mais um indivíduo.
- Status atual: Presença confirmada em pelo menos três propriedades locais. Os animais capturados passam por análises laboratoriais na UFSC.
Como ajudar? Fique atento ao “mugido”
A principal característica da rã-touro é o seu canto de acasalamento: uma vocalização grave e potente, muito semelhante ao mugido de um boi.
A Prefeitura de Florianópolis reforça que a população não deve tentar capturar ou manejar o animal por conta própria, mas sim relatar qualquer suspeita.
Canais de Denúncia e Monitoramento (Floram):
- WhatsApp: (48) 3237-5660
- E-mail: [email protected]
Mesmo com a redução da atividade dos anfíbios nos meses mais frios, o engajamento dos moradores da Grande Florianópolis é fundamental para garantir que, na próxima primavera, o avanço dessa espécie seja controlado.
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