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Direto de Brasília para o Jornal Alfredo Wagner Online
Ainda sem confirmação oficial, a simples circulação do nome da deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) como possível vice em uma chapa presidencial encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro já movimenta os bastidores de Brasília — e revela muito sobre os rumos que o bolsonarismo pretende tomar em 2026.
Nos corredores do Congresso, a avaliação é de que a manifestação pública de Eduardo Bolsonaro, afirmando que Zanatta “está à altura do cargo”, dificilmente foi um gesto isolado. Em Brasília, apoio antecipado raramente acontece por acaso. Principalmente quando envolve o núcleo mais próximo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O movimento é interpretado como um teste político. Uma espécie de balão de ensaio para medir a receptividade do eleitorado conservador e, principalmente, das lideranças do PL.
Centrão de fora, partido mais forte
A estratégia possui vários objetivos simultâneos.
O primeiro deles, afirmou um deputado, é consolidar uma chapa ideologicamente alinhada, sem concessões ao Centrão tradicional.
Dentro da ala mais fiel do bolsonarismo, Júlia Zanatta representa exatamente isso: enfrentamento cultural, forte presença nas redes sociais, fidelidade absoluta ao discurso conservador e identificação direta com a militância mais engajada da direita.
Já nos bastidores, aliados classificam a possibilidade como uma “chapa puro-sangue”. Traduzindo do idioma político: uma composição feita exclusivamente para incendiar a base bolsonarista que tem andado muito abalada nos últimos tempos.
Eleitorado feminino não se engaja
Mas existe outro fator importante nessa equação.
Flávio Bolsonaro sabe que a direita ainda encontra dificuldades para avançar no eleitorado feminino. A presença de uma mulher conservadora candidata na vice-presidência seria uma tentativa clara de reduzir essa resistência e ampliar o alcance eleitoral do projeto bolsonarista.
E é justamente aí que Júlia Zanatta ganha força.
Deputada jovem, comunicadora ativa e figura já consolidada no ambiente digital da direita, a catarinense se encaixa em um perfil considerado estratégico: fala diretamente com a militância sem parecer uma escolha “imposta” pelo núcleo histórico do partido.
Santa Catarina também pesa nessa conta.
O estado tornou-se um dos maiores redutos eleitorais do bolsonarismo no país. Ter uma vice catarinense seria um aceno direto ao Sul do Brasil e ao eleitorado mais fiel ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Mas a disputa está longe de ser resolvida.
Antes de encerrar os expedientes dos gabinetes, assessores ouviram que dentro do próprio campo conservador, há quem defenda uma escolha mais pragmática e menos ideológica. É nesse cenário que cresce o nome da senadora Tereza Cristina (PP-MS).
Ex-ministra da Agricultura, ela possui trânsito no agronegócio, boa relação com partidos aliados e capacidade de ampliar alianças fora da bolha bolsonarista. Em outras palavras: enquanto Zanatta mobiliza a base, Tereza Cristina poderia ampliar a coalizão.
E esse talvez seja o principal dilema do PL para 2026.
Apostar em uma chapa de forte identidade ideológica ou construir uma composição mais ampla para enfrentar uma eleição presidencial extremamente polarizada?
Há ainda um terceiro elemento pouco comentado publicamente: a sucessão interna do próprio bolsonarismo.
Renovação ou estagnação: dilema bolsonarista
Com Jair Bolsonaro inelegível até o momento, o entorno do ex-presidente trabalha silenciosamente para organizar uma nova geração de lideranças. Flávio Bolsonaro surge como herdeiro institucional. Eduardo Bolsonaro atua como operador político e ideológico. E nomes como Júlia Zanatta passam a representar a renovação militante do movimento.
Não é coincidência que parlamentares jovens e altamente ativos nas redes estejam ganhando protagonismo.
O bolsonarismo entende que a próxima eleição presidencial será disputada não apenas na televisão e nos palanques, mas principalmente no ambiente digital.
Por isso, a escolha da vice deixou de ser apenas um detalhe protocolar. Ela se transformou em peça estratégica de comunicação, mobilização e identidade política.
Nos bastidores de Brasília, o entendimento é de que o anúncio oficial ainda pode demorar. O tabuleiro permanece aberto, e o ex-presidente Jair Bolsonaro continua sendo a voz decisiva nesse processo.
Mas uma coisa já ficou clara:
Ao entrar no radar da vice-presidência, Júlia Zanatta deixa de ser apenas uma deputada em ascensão de Santa Catarina e passa a ocupar espaço no núcleo da disputa nacional da direita para 2026.
Direto de Brasília para o Jornal Alfredo Wagner Online! Até a próxima!
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