A estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2026 contra o Marrocos, no MetLife Stadium, entregou exatamente o cenário tenso e equilibrado que os analistas previam. O empate em 1 a 1 refletiu uma partida de duas metades bem distintas, evidenciando que o ciclo de Carlo Ancelotti ainda busca a engrenagem ideal, enquanto o Marrocos se confirmou como uma das forças mais organizadas taticamente do futebol atual.
Abaixo, os principais pontos táticos e técnicos que definiram o confronto:
1. O Nó Tático de Marrocos no Primeiro Tempo
O técnico Mohamed Ouahbi montou uma equipe extremamente compacta. Sabendo da vulnerabilidade do Brasil nas transições defensivas e na saída de bola, o Marrocos subiu as linhas e sufocou o meio-campo brasileiro.
- O Gol Marroquino: Aos 20 minutos, a pressão funcionou. Após um erro de passe forte de Ibañez e uma falha de domínio de Paquetá no campo de ataque, a transição africana foi avassaladora. Mazraoui acionou Brahim Díaz, que descolou uma assistência espetacular para Saibari abrir o placar, tocando por cobertura na saída de Alisson.
- Domínio do Espaço: Jogadores como Hakimi e Brahim Díaz ditaram o ritmo, fazendo o Brasil parecer desconfortável e errando muitos passes na defesa.
2. A Dependência e o Brilho de Vini Jr.
Quando a engrenagem coletiva falhou, a individualidade resolveu. Vivendo o auge físico e técnico da carreira, Vinícius Júnior foi o respiro da Seleção Brasileira.
- O Empate: Aos 31 minutos da primeira etapa, após jogada iniciada por Bruno Guimarães, Vini Jr. recebeu na esquerda, limpou a marcação de El Aynaoui puxando para o meio e soltou uma bomba de 114 km/h para marcar um golaço, decretando o 1 a 1.
3. As Mudanças de Ancelotti no Segundo Tempo
O Brasil voltou do intervalo modificado e mais precavido, principalmente porque Casemiro e Ibañez já haviam sido amarelados na etapa inicial devido à forte imposição física do Marrocos.
- Ajuste de Peças: As entradas de Danilo e Fabinho estabilizaram o setor defensivo. Com Danilo na lateral e Raphinha mais espetado pela direita, o Brasil ganhou largura e conseguiu ficar mais tempo com a bola no campo ofensivo.
- Falta de Contundência: Apesar de melhorar o posicionamento e diminuir os sustos nos contra-ataques marroquinos, o ataque brasileiro produziu pouco na área adversária. O centroavante Igor Thiago teve dificuldades diante dos zagueiros e acabou substituído por Luiz Henrique, enquanto Matheus Cunha entrou na vaga de Paquetá. No fim das contas, a Seleção rondou a área, mas faltou a criatividade necessária para furar o bloco baixo de Marrocos.
Panorama para a Sequência do Grupo C
Com o empate na estreia, a cobrança sobre o desempenho coletivo da Seleção deve aumentar, mas o resultado está longe de ser um desastre completo, dado o nível do adversário.
O caminho do Brasil na primeira fase segue com os seguintes confrontos:
- Próximo jogo: Brasil x Haiti – Sexta-feira, 19 de junho, às 21h30 (de Brasília), na Filadélfia. Em tese, é o adversário ideal para Ancelotti testar variações e dar confiança ao ataque.
- Fechamento da fase: Brasil x Escócia – Quarta-feira, 24 de junho, em Miami.
O ponto positivo fica por conta da capacidade de reação e do poder de decisão de Vini Jr., mas a necessidade de encontrar um equilíbrio no meio-campo e laterais mais seguras ficou nítida para o restante do torneio.
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