A fase de grupos da Copa do Mundo de 2026 terminou deixando uma sensação clara: o mata-mata promete equilíbrio, emoção e, talvez, algumas surpresas históricas.
Se a primeira fase serviu para separar favoritos de candidatos ocasionais, ela também mostrou que o futebol mundial está mais distribuído. Já não basta ter camisa pesada ou tradição. Nesta Copa, organização tática, profundidade de elenco e intensidade física parecem pesar mais do que nunca.
A grande impressão até aqui é que a Argentina chega como a seleção mais consistente.
Atual campeã, a equipe de Lionel Scaloni mostrou maturidade, elenco forte e um diferencial importante: não depende exclusivamente de Lionel Messi. Mesmo com rotações, a equipe manteve alto nível, venceu bem e demonstrou profundidade. Messi continua decisivo, mas o que assusta os adversários é justamente a solidez coletiva. A Argentina passa a impressão de seleção pronta.
O Brasil, por sua vez, talvez seja a seleção de maior potencial de crescimento.
A equipe de Carlo Ancelotti teve bons momentos na fase inicial, especialmente ofensivamente. Vinícius Júnior vem em grande fase e o setor ofensivo parece cada vez mais encaixado. Ainda assim, a sensação é de que o Brasil não mostrou tudo o que pode. Isso pode ser bom — ou perigoso. Em Copas, crescer no mata-mata costuma ser uma virtude. O duelo contra o Japão será um bom termômetro para medir o verdadeiro tamanho da seleção brasileira.
A França segue sendo França.
Talvez não tenha brilhado o tempo todo, mas tem jogadores capazes de decidir partidas em minutos. Mbappé continua entre os nomes mais decisivos do torneio. Em mata-mata, seleções com esse tipo de talento individual sempre entram entre as favoritas.
A Inglaterra aparece como uma incógnita interessante.
Tem elenco forte, nomes de peso e boa campanha até aqui. Mas carrega o velho problema psicológico: costuma empilhar expectativas e tropeçar nos momentos decisivos. Se conseguir superar essa barreira mental, pode ir longe.
Entre as surpresas positivas, algumas seleções merecem destaque.
Marrocos confirmou que 2022 não foi acaso. Continua competitivo, intenso e perigoso. A Noruega, embalada por Haaland, surge como uma ameaça real. A Colômbia fez uma fase de grupos muito sólida e pode ser uma das equipes mais incômodas do mata-mata. E há ainda seleções como México, Japão e Senegal, capazes de complicar a vida de qualquer favorito.
Do lado das decepções, o maior destaque negativo foi o Uruguai.
A eliminação precoce expôs problemas de renovação, desgaste de ciclo e dificuldade em transformar tradição em desempenho. Também houve seleções tradicionais que avançaram sem convencer plenamente, como Espanha e Portugal.
E agora, quem está melhor posicionado?
Hoje, pelo que foi apresentado em campo, eu colocaria a hierarquia assim:
Primeira prateleira (favoritos reais):
Argentina, Brasil, França
Segunda prateleira (podem ganhar):
Inglaterra, Alemanha, Holanda
Terceira prateleira (azarões perigosos):
Colômbia, Marrocos, Noruega, Portugal
Se fosse necessário apontar probabilidades neste momento, a corrida pelo título parece relativamente concentrada:
Argentina — 24%
Brasil — 22%
França — 18%
Inglaterra — 12%
Alemanha — 8%
Holanda — 6%
Outros — 10%
Mas Copa do Mundo nunca foi apenas sobre probabilidades.
Agora termina a fase da lógica e começa a fase da tensão absoluta. No mata-mata, um erro elimina. Um gol muda histórias. Uma defesa transforma heróis.
A primeira fase mostrou quem chegou forte. O mata-mata vai revelar quem está pronto para ser campeão.
E, como sempre acontece em Copas, a partir de agora não basta jogar bem.
É preciso suportar a pressão.
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