Um relatório da Polícia Rodoviária Federal (PRF) acendeu um alerta vermelho sobre as condições de trechos recém-restaurados das rodovias BR-282 e BR-163, no Extremo-Oeste de Santa Catarina. Poucas semanas após o término das obras de recapeamento, a corporação identificou buracos e graves falhas de sinalização que comprometem a segurança dos motoristas.
Diante das irregularidades, a PRF encaminhou um expediente oficial ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) cobrando providências urgentes.
Falta de visibilidade e problemas na sinalização
Segundo a fiscalização da PRF, a sinalização provisória colocada durante as obras garantia uma boa orientação, mas a pintura definitiva entregue após a conclusão dos serviços apresenta baixa retrorrefletividade — ou seja, as faixas quase não refletem a luz dos faróis à noite ou sob chuva. Para ilustrar o perigo, a polícia anexou ao relatório um vídeo noturno gravado sob chuva, mostrando que as faixas praticamente desaparecem, aumentando o risco de colisões frontais.
Além disso, o relatório aponta a ausência de tachas refletivas (“olhos de gato”) em vários segmentos. O dispositivo é considerado essencial para a região, que registra frequentes episódios de neblina ao longo do ano.
Os pontos críticos identificados
- BR-282 (Trevo de São Miguel do Oeste à ponte sobre o Rio das Antas): A sinalização horizontal está extremamente desgastada ou inexistente, mesmo sobre o asfalto novo. Na própria ponte sobre o Rio das Antas — cujo pavimento foi concluído há poucas semanas —, os policiais registraram ao menos dois buracos de grandes dimensões e falta de pintura adequada.
- BR-163 (Guaraciaba ao acesso de Barra Bonita): Em uma inspeção realizada no dia 29 de junho, os policiais contabilizaram pelo menos 18 buracos em um curto trecho de apenas dois quilômetros. O segmento havia recebido asfalto novo recentemente, entre os meses de abril e junho deste ano.
A PRF relembrou ainda que a população enfrentou meses de transtornos, filas quilométricas e o sistema “pare e siga” durante a execução das obras, período no qual também foram registrados acidentes devido às restrições de tráfego.
Acionamento do Ministério Público Federal não é descartado
Embora ressalte que não cabe à PRF fazer a avaliação técnica da engenharia civil da obra, a corporação destaca que os problemas justificam uma auditoria rigorosa por parte do DNIT quanto à correta aplicação dos recursos públicos e à durabilidade do pavimento.
A delegacia da PRF continuará fazendo inspeções periódicas nos trechos. Caso os fatores de risco e a deterioração do asfalto persistam, a corporação recomenda uma atuação conjunta com o Ministério Público Federal (MPF).
O que diz o DNIT
Em nota, o DNIT informou que as obras fazem parte de um contrato de manutenção contínua e que o órgão mantém fiscalização permanente.
Segundo a autarquia, os defeitos identificados na BR-163 e na BR-282 são patologias pontuais causadas, principalmente, por infiltrações de água em pontos específicos do pavimento. A empresa executora já foi notificada para realizar os reparos necessários (incluindo remendos estruturais e melhorias na drenagem), e os serviços serão feitos sem custos adicionais para os cofres públicos.
Em relação à ponte sobre o Rio das Antas, o DNIT garantiu que uma vistoria técnica não encontrou problemas estruturais que ameacem a segurança da travessia. A manutenção do pavimento da ponte, de seus acessos e dos guarda-corpos já está prevista no cronograma do contrato de conservação.
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