Direto de Brasília para o Jornal Alfredo Wagner Online
A sala de assessores ficou em silêncio… até alguém apertar o play e a televisão exibir trechos da entrevista do Deputado Federal Zé Trovão afirmando que Bolsonaro agiu como covarde ao perder as eleições em 2022, quando um assessor interrompeu o trabalho e comentou:
— “Isso vai dar problema.”
Outro assessor, sem tirar os olhos do celular onde reservava as passagens para a volta da equipe para Pernanbuco, perguntou:
— “O quê? Chamar o Mito de ‘covarde’?”
— “É, não. Quero dizer o vídeo que anda circulando”
Em poucos minutos, as redes sociais já faziam o serviço de resgatar a memória digital. De um lado, a entrevista em que o deputado federal Zé Trovão afirmava que Jair Bolsonaro deveria ter reconhecido a derrota nas eleições de 2022 e orientado os manifestantes a deixarem as ruas, chegando a dizer que faltou coragem ao ex-presidente para agir naquele momento e evitar as prisões que se seguiram.
Do outro lado, imagens gravadas na época dos acampamentos mostravam o próprio parlamentar incentivando os manifestantes a permanecerem mobilizados. Ao telefone com um senador, dizia que “o povo brasileiro não pode sair das ruas” e que aquele era o momento de apoiar Bolsonaro, sendo aplaudido sob gritos de “resistência civil”.
— “Esse é o prolema! A mídia não perdoa contradições!” afirmou o assessor, já com as passagens confirmadas.
Na política, existe uma velha regra: entrevistas passam, mas vídeos permanecem.
Logo veio a explicação. Segundo Zé Trovão, ele apenas reproduzia aos manifestantes a mensagem transmitida por um senador durante uma ligação telefônica, acreditando tratar-se de Magno Malta. Também afirmou que nunca deixou de defender Bolsonaro e que sua crítica dizia respeito apenas ao silêncio do ex-presidente após a derrota eleitoral.
— “Será que vai colar? Duvido muito” comentou Julião, outro assessor que se preparava para voltar ao Rio Grande do Sul.
Quanto à palavra “covarde”, Zé Trovão reconheceu que não foi a mais adequada, embora insistisse que Bolsonaro deveria ter orientado seus apoiadores a encerrar as manifestações e preparar a reorganização política da direita.
Na sala, alguém resumiu o episódio com uma frase curta:
— “Em Brasília, às vezes a internet faz o papel que a oposição nem precisa fazer.”
Outro respondeu imediatamente:
— “A memória digital não vota, mas nunca esquece.”
Uma risadinha maliciosa ecoou no ar, mas logo o silêncio voltou a dominar a sala.