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Para Londa Schiebinger, privilegiar o masculino em detrimento do feminino é um obstáculo ao desenvolvimento científico e tecnológico.[Imagem: Chiara Tripepi/Wikimedia Commons]

10 novos medicamentos saem do mercado porque não levaram gênero e sexo em conta

Jornalista Mauro Demarchi, 18/05/201918/05/2019

Medicamentos só para homens

Dez novos medicamentos foram recentemente retirados do mercado norte-americano por causa de seus efeitos colaterais graves à saúde dos pacientes – oito deles apresentavam graves riscos para as mulheres.

Quando falharam, essas drogas provocaram morte e sofrimento. E bilhões de dólares em pesquisa e desenvolvimento foram perdidos.

Este é um exemplo simples, mas contundente, de como pesquisas que desconsideram as dimensões de sexo e gênero podem causar grandes prejuízos humanos e econômicos, defende Londa Schiebinger, professora de História da Ciência na Universidade de Stanford e diretora de um projeto que pretende incorporar a dimensão do gênero nas pesquisas científicas.

“Trata-se de estimular a excelência em ciência e tecnologia por meio da integração da análise de sexo e gênero na pesquisa”, resumiu ela durante um evento realizado em São Paulo.

  • Se você é mulher e teve um infarto, procure uma médica

Inovação

O objetivo do projeto Gendered Innovations (inovação considerando gênero), dirigido por Schiebinger, é orientar corretamente a pesquisa desde o início, desenvolvendo métodos para analisar os efeitos do sexo e gênero em cada assunto e fornecer estudos de caso sobre como tais análises podem levar a novas descobertas e inovações.

No caso das 10 drogas retiradas do mercado norte-americano, Schiebinger mostrou que a maior parte das pesquisas para o desenvolvimento de medicamentos usa células, tecidos, modelos animais ou voluntários humanos do sexo masculino. E, o que é pior, em muitos casos, o sexo não é reportado nos estudos.

E, como já se demonstrou, homens e mulheres ficam doentes de formas diferentes.

“Por que isso é relevante? A pesquisa mostra que, conforme o sexo de origem, existem diferenças na capacidade terapêutica de células-tronco. Por exemplo, células-tronco retiradas do tecido muscular feminino são mais ativas do que células-tronco masculinas. No entanto, muito poucos pesquisadores consideram o sexo das células. E isso pode levar ao fracasso da pesquisa,” concluiu a pesquisadora.

Tempo de leitura2 min

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