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Lima Duarte, 95 anos: uma vida de muitas vidas!

Entre os fios do tempo, há aqueles que vivem uma só vida, e há os que experimentam muitas. Lima Duarte, aos 95 anos, é um desses homens que percorreu inúmeras existências, transfigurando-se, reinventando-se e tornando-se um ícone. Ele não apenas interpretou personagens; ele viveu dentro deles, respirando suas dores e esperanças, dando-lhes voz e eternidade.

Em depoimento gravado para o seu perfil no Instagram, Lima Duarte relembra sua vida feita de muitas vidas. O vídeo da postagem pode ser assistida na íntegra logo abaixo.

Nascido em Desemboque, um povoado esquecido de Minas Gerais, trouxe consigo a simplicidade e a força de suas origens. Um filho de carpinteiro e uma artista amadora, sua primeira cena no palco não foi apenas um momento de encenação, mas uma revelação. O olhar de sua mãe, mais do que qualquer palavra, moldou-lhe o destino. Não era um olhar de atriz para seu parceiro de cena; era um olhar de verdade, de essência, que acendeu a chama da interpretação dentro dele.

Aos 16 anos, partiu para São Paulo, carregando em sua bagagem apenas um sonho e um novo nome, um presente de sua mãe: Lima Duarte. E foi com esse nome que ele entrou para a história da televisão, participando da primeira novela da América Latina, “Sua Vida Me Pertence”. Mas essa foi apenas a primeira de muitas jornadas.

Zeca Diabo, o matador de fé e devoção, mostrou que até os homens mais rudes guardam ternura. Sinhozinho Malta, o coronel de “Roque Santeiro”, ensinou que a aparência pode enganar, mas o amor jamais se disfarça. Sassá Mutema, o homem simples de “O Salvador da Pátria”, fez com que ele compreendesse o poder da humildade. Cada papel foi uma nova pele, um novo respirar, um novo Lima.

E assim, Lima Duarte foi rei, bandido, político, guerreiro, avô e até Papai Noel. Não se limitou à televisão, pois no teatro, no cinema e até na dublagem encontrou formas de existir para além de si mesmo. Sua arte foi a prova viva de que interpretar não é apenas um ofício, mas um chamado, uma ponte entre o real e o imaginado, entre o presente e o eterno.

Agora, aos 95 anos, Lima Duarte olha para trás e enxerga não uma, mas incontáveis vidas que moldaram sua alma. Ele entende que a arte é um eco que ressoa para sempre. E enquanto houver uma tela, um palco, um espectador, sua voz continuará vibrando no tempo.

Porque Lima Duarte não foi apenas um ator. Foi e é, para sempre, um porta-voz da eternidade.