S.R. União Clube: Jubileu de Brilhante ou Jubileu de Carvalho?

No dia 30 de julho, a Sociedade Recreativa União Clube, presidida pelo proeminente jovem Juliano Quevedo, promoveu um requintado baile de gala para comemorar os 75 anos de fundação da entidade. O Clube União, depois das igrejas católica e evangélica, é a mais antiga instituição em funcionamento no município de Alfredo Wagner.

O letreiro gravado na fachada da sede torna aparentemente indiscutível a data de sua fundação: 28/11/1937. Porém, se formos nos aprofundar nos registros históricos, descobriremos que ela talvez não corresponda à realidade. Uma ata datada de 1933 comprova a existência, desde o ano anterior, do Pery Football Club, e menciona que a sede social do Pery era chamada de “Club Bôa União”. Seria coincidência ou estamos falando do União Clube de hoje? Seguramente, a última opção é a que procede, e nos permite afirmar que o nosso Clube já existe há 80 anos. Está celebrando, portanto, o seu Jubileu de Carvalho (80 anos).

Tudo começou em meados dos anos 30, na singela vila de Barracão. Essa comuna era divida em duas pequenas freguesias: o Barracão propriamente dito e o Sombrio. O Barracão tinha como ponto de referência a igreja católica, muito bonita, de tijolos, que fora construída alguns anos antes (em 1927). Em torno da ermida, viviam algumas das famílias pioneiras: os Kretzer, os Behling, os Schweitzer, os Pereira, os Rudolf. As casas do Sombrio se localizavam próximo à Ponte Engº Emílio Kuntze – a saudosa ponte coberta, e ali habitavam outros dos primeiros clãs: os Schmidt, os Gerber, os Rosar, os Souza, os Santos, os Zilli, os Petrosky, os Soares, os Franz, os Figueiredo, os Hoffmann…

Aos domingos, era praxe todos irem à reza, na capela. À tarde, era o momento do lazer. Enquanto uns visitavam o salão para jogar e conversar, outros iam “brincar” no campo de futebol, que se localizava onde posteriormente funcionou a Serraria do Seu Adão. Com o passar do tempo, muitos moradores foram se revelando exímios jogadores, demonstrando impressionante habilidade sobre a bola. Times de fora que disputavam partidas aqui estavam encontrando cada vez mais dificuldade para derrotar o imbatível Pery. Viu-se, então, a necessidade de se organizar, oficializando a agremiação. Era o ano de 1932.

A sede do Pery Football Club foi construída com recursos da Alemanha trazidos anos antes pelo farmacêutico João Bruno Hoffmann – para servir como uma casa de saúde para os moradores – no terreno doado pelo benfeitor Rodolpho João Schmidt, o seu Doia. Agora, os jogadores tinham um lugar para se reunir. A fim de angariar fundos, os sócios passaram a promover bailes e domingueiras na sede da entidade, que recebeu o nome de “Club Bôa União” – eis o gérmen de nossa atual sociedade. O primeiro presidente foi Roberto Antônio Behling, compondo ainda a primeira diretoria os senhores Filipe Gerber Júnior, Clarimundo Régis, João Fernandes, Rodolpho João Schmidt, Genésio Santos, Jacintho Luz, José Souza e Leopoldo Santos. Havia dois quadros de jogadores no Clube: os do 1º e os do 2º time, e ficou estabelecido que se deveria treinar nas terças, nas sextas-feiras e nos dias santificados.

Enquanto no campo jovens e homens casados se divertiam em acirradas partidas, na sede mulheres, moças, rapazes e homens se entretiam nos primeiros eventos sociais do vilarejo.

Em 28 de novembro de 1937, o Pery Football Club se extinguiu, dando lugar à Sociedade Recreativa União Clube. O Senhor João Bruno Hoffmann, conhecido como “João Farmacêutico” exerceu as funções de primeiro presidente da instituição sob a atual denominação. Nessa época, a atividade desportiva estava constantemente atrelada à atividade social. Eram frequentes os “bailes de partida” que, como o nome sugere, eram precedidos de jogos de futebol com times amigos. Animados bailes de carnaval, escolhas de rainha e princesas da sociedade e domingueiras eram constantemente promovidos. Em meio à animação, deveria imperar clima de ordem e pudor. Se alguém se portasse indevidamente na sede, era convidado pela Diretoria a se retirar.

Durante as décadas de 30 e 40, a entidade permaneceu na sede antiga, onde futuramente funcionaria o afamado “Salão do Seu Talico”. Nos anos 50, as atividades do clube passaram a acontecer no Cine Marajó, de propriedade de José de Campos e, mais tarde, de Virto Schäffer.

(Continua na próxima edição)

Informações transmitidas, ao longo dos anos, por:

Altair Schweitzer (in memoriam)

Altair Wagner

Antônio Carlos Thiesen Sobrinho

Dário Domingos Cunha

Edgar Wagner

Ilza Schweitzer de Almeida

Marlene Wessler Thiesen

Néli Schweitzer de Souza

Nicolau Pedro de Almeida

Norberto Wagner

Quirino Iung

Santília Schmidt Wagner (in memoriam)

Fontes bibliográficas extraídas dos livros:

“José de Campos – uma história para contar”, de Celita Irene Campos Angeloni;

“Alfredo Wagner em revista”, de Thiago de Souza;

“Aspectos da História e do presente de Alfredo Wagner”, de Maurélio Luz e Onorina Laura Carrero.

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