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Lobinho nem bem renasceu e já está no centro de uma polêmica científica

Imprensa, 09/04/202509/04/2025

Em uma cena digna de ficção científica — ou quem sabe de um spin-off de Game of Thrones — uma empresa norte-americana de biotecnologia anunciou o nascimento de três filhotes de lobo com traços genéticos do lendário lobo-terrível (Aenocyon dirus), extinto há cerca de 12 mil anos. Batizados de Romulus, Remus e Khaleesi, os animais foram apresentados como frutos de um ousado projeto de “desextinção”. Mas será que o lobo-terrível realmente voltou à vida?

O assunto foi destaque no Jornal Alfredo Wagner Online, nas mídias e na imprensa internacional.

A responsável pelo feito é a Colossal Biosciences, empresa sediada nos Estados Unidos e conhecida por projetos ambiciosos, como a tentativa de reviver o mamute-lanoso. Segundo comunicado oficial, os três filhotes nasceram saudáveis após um processo de engenharia genética que introduziu 20 genes do lobo-terrível em lobos-cinzentos modernos (Canis lupus).

A ideia foi apresentada como o primeiro passo rumo à “ressurreição” do lobo-terrível e seu retorno ao ecossistema. No entanto, a reação da comunidade científica foi imediata — e bastante cética.

Mais lobo-cinzento do que lobo-terrível?

Especialistas afirmam que os animais, embora notavelmente semelhantes ao lobo-terrível em certos aspectos físicos e genéticos, estão longe de representar um verdadeiro renascimento da espécie extinta.

Jeremy Austin, diretor do Centro Australiano de DNA Antigo, foi categórico: “Esses animais são lobos-cinzentos com pequenas modificações. Para recriar um lobo-terrível de verdade, seria necessário reconstituir com precisão centenas de milhares de variações genéticas.” Segundo ele, o que temos é um organismo com aparência semelhante, mas sem a complexidade biológica do original.

Beth Shapiro, diretora científica da Colossal, reconheceu que não se trata de uma cópia perfeita do lobo-terrível, mas defendeu o projeto como uma maneira prática de estudar e talvez restaurar características perdidas em espécies modernas. “A meta não é clonar o passado, mas construir algo novo a partir dele”, afirmou.

Ciência, marketing ou espetáculo?

A polêmica reacende discussões sobre os limites éticos e conceituais da biotecnologia. Afinal, quando exatamente um animal modificado pode ser considerado “ressuscitado”? Qual o papel do marketing em projetos desse tipo? E mais importante: o que ganhamos — ou arriscamos — ao tentar trazer espécies extintas de volta?

Para alguns cientistas, essas iniciativas distraem de esforços mais urgentes na preservação de espécies em risco real e imediato de extinção. Para outros, trata-se de uma valiosa experimentação em genética e conservação que pode gerar avanços reais.

Se quiser, posso adaptar esse texto para outros formatos: uma versão mais curta para redes sociais, uma matéria para newsletter, ou até mesmo um roteiro para vídeo. Quer que a gente brinque com isso?

Mauro Demarchi
Editor

Tempo de leitura3 min

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