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Não leia este artigo se você não tiver tempo para conhecer o Real e o Virtual da vida moderna

Jornalista Mauro Demarchi, 28/04/202528/04/2025

Vivemos em uma era onde o real e o virtual se entrelaçam de forma tão íntima que, muitas vezes, não conseguimos distinguir entre a vida verdadeira e as projeções imaginárias. No entanto, essa fusão entre realidade e ilusão não é nova. Desde as primeiras pinturas rupestres até os mundos digitais que hoje habitamos, a humanidade sempre buscou recriar, expandir ou até substituir o real.
Essa busca incessante, como já perceberam grandes pensadores como Platão, Santo Agostinho e outros filósofos, é muito mais do que uma curiosidade: é uma saudade do Paraíso perdido, um desejo de reencontro com a plenitude original.

O Real e o Virtual: uma saudade antiga

Platão, no célebre Mito da Caverna, descreve a condição humana como a de prisioneiros que veem apenas sombras projetadas na parede, tomando-as como a realidade. A verdadeira vida, para ele, existe no mundo das Ideias — uma dimensão de perfeição invisível para os sentidos físicos.
Segundo Platão:

“O mundo visível é apenas uma cópia imperfeita do mundo verdadeiro.” (A República, Livro VII)

Assim, toda nossa arte, tecnologia e cultura seriam tentativas de sair da caverna — de ultrapassar o que é imperfeito para reencontrar o Real absoluto.

Essa nostalgia do absoluto é também a base da reflexão de Santo Agostinho. Em sua obra Confissões, Agostinho reconhece que o coração humano é movido por uma inquietação profunda, uma saudade inextinguível:

“Fizeste-nos para Ti, Senhor, e inquieto está o nosso coração enquanto não repousa em Ti.” (Confissões, Livro I)

Para ele, a humanidade carrega a memória inconsciente de um Paraíso perdido, onde o real era maravilhosamente pleno e onde nenhuma simulação era necessária.
Nossa contínua invenção de mundos imaginários — seja em sonhos, arte ou realidade virtual — seria, portanto, um eco dessa saudade divina.

A Modernidade: a era da Hiper-Realidade

Hoje, com a ascensão da inteligência artificial, das simulações digitais e da realidade virtual, vivemos aquilo que o filósofo Jean Baudrillard chamou de hiper-realidade:

“A simulação já não é aquilo que é falso ou verdadeiro, mas um substituto da realidade que é mais real que o real.” (Simulacros e Simulação, 1981)

O mundo virtual moderno — redes sociais, metaverso, deepfakes — não apenas representa o real: ele o substitui, cria novas realidades onde cada indivíduo pode ser quem quiser, ver o que desejar e sentir o que escolher.
Entretanto, por mais perfeitas que sejam as simulações, o anseio mais profundo do ser humano permanece: um desejo por algo que nenhuma tecnologia pode realmente saciar.

O perigo e a esperança

O perigo, como advertia Pascal, é esquecer que esse vazio interior foi feito para algo que transcende qualquer criação humana:

“No coração de cada homem há um vazio do tamanho de Deus.” (Pensamentos, § 148)

Mas também há uma esperança: reconhecer que o impulso de criar, de imaginar e de virtualizar é, na verdade, um chamado para buscar o que é verdadeiro — não apenas no mundo visível, mas no invisível, onde habitam o amor, a beleza e a verdade absoluta.

Conclusão

O real e o virtual não são opostos irreconciliáveis. Ambos apontam para a vocação do ser humano de transcender o imediato, de buscar algo maior do que si mesmo.

O mundo moderno, com todos os seus brilhos e ilusões, nos oferece uma escolha: nos perder em simulacros infinitos ou usar essas criações como degraus para recordar nossa origem perdida e, quem sabe, reencontrá-la.

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