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“O Estado Elétrico”: entre a ficção e o alerta, superprodução da Netflix banaliza debate sobre tecnologia e controle digital

Imprensa, 29/04/202529/04/2025

Sthefano Cruvinel, CEO da EvidJuri, Auditor Judicial com atuação nos Tribunais Superiores (STJ), Autor e Coordenador de Doutrinas de Inovação no âmbito tecnológico e jurídico.

Lançado recentemente pela Netflix, O Estado Elétrico (The Electric State), dirigido pelos irmãos Anthony e Joe Russo, é mais do que um filme de ficção científica. É também um convite — ainda que mal executado — à reflexão sobre os rumos da sociedade digital. Com orçamento estimado em US$ 320 milhões, a obra se consagra como a produção mais cara da história da plataforma, mas tem enfrentado duras críticas justamente por não aprofundar os temas que propõe.

Baseado no livro homônimo do artista e autor sueco Simon Stalenhag, o longa retrata uma América alternativa dos anos 1990, assolada por uma guerra entre humanos e robôs inteligentes. A trama apresenta um cenário distópico em que a humanidade vence a guerra, mas acaba dominada por uma nova forma de controle: a realidade virtual. Em vez de um apocalipse explosivo, o colapso social se dá por apatia. Crianças, adultos e idosos trocam suas atividades reais por estímulos digitais, tornando-se dependentes de uma tecnologia que, embora sedutora, mina a autonomia e a conexão humana.

O filme é atual não apenas por sua estética ou narrativa, mas principalmente pelo pano de fundo que nos remete ao presente: vivemos, de fato, uma era em que algoritmos moldam decisões, inteligências artificiais geram conteúdos com aparência humana e a linha entre o real e o virtual se torna cada vez mais difusa. É nesse ponto que O Estado Elétrico poderia ter se destacado, trazendo à tona o debate sobre ética, controle, regulação e a própria natureza da inteligência artificial.

No entanto, como especialista em tecnologia e direito digital, observo com preocupação a forma superficial com que esses temas são tratados. O que poderia ser uma crítica robusta à manipulação algorítmica e à alienação digital acaba se tornando um desfile de efeitos visuais e clichês narrativos. Em algumas análises, o roteiro foi comparado ao funcionamento de um algoritmo mal calibrado: cenas desconexas, personagens sem densidade e diálogos artificiais. É o risco de transformar um tema sério em entretenimento genérico — ou, como ironizou um crítico, “parece um filme feito no ChatGPT”.

A crítica especializada também aponta a incoerência entre o orçamento bilionário e o resultado entregue. A embalagem é de blockbuster, mas o conteúdo carece de profundidade. Ainda assim, o filme figurou no topo do ranking dos mais assistidos da Netflix em sua estreia, evidenciando que o apelo comercial da obra funciona, mesmo quando o argumento falha.

Do ponto de vista jurídico, O Estado Elétrico toca, mesmo que de forma indireta, em questões que hoje desafiam legislações no mundo inteiro: quem responde pelos atos de uma máquina inteligente? Como garantir a proteção dos indivíduos em uma sociedade guiada por decisões automatizadas? Qual o limite entre autonomia tecnológica e manipulação de comportamento?

Se o filme não entrega respostas, ao menos serve como provocação. E provocações, mesmo quando mal contadas, têm o mérito de abrir espaço para o debate. Cabe agora a nós, juristas, tecnólogos e cidadãos, aprofundarmos essas discussões na vida real — antes que o “estado elétrico” deixe de ser ficção.


Encaso Assessoria e Comunicação Corporativa Ltda
Marcos Vinicius Dantas de Vasconcelos
encasocomunicacao.com.br

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