O dia 25 de junho de 2025 ficará marcado na memória dos moradores do Saltinho. O frio intenso que se anunciava nos últimos dias finalmente mostrou sua força: os campos amanheceram cobertos por uma fina e brilhante camada de gelo. Um espetáculo raro por estas bandas, onde a geada só costuma dar as caras a cada oito ou nove anos. A última, aliás, foi em 2016 — registrada em vídeo e eternizada em imagens por quem valoriza os detalhes da natureza.
Mesmo em uma região onde o inverno pode ser rigoroso, o Saltinho, com seus 430 metros de altitude, raramente presencia esse fenômeno com tanta intensidade. Nesta manhã, no entanto, o chão branco e a relva congelada pareciam saídos de um cartão-postal. O frio era de cortar — do tipo que entra pelas frestas das roupas e faz doer até as mãos, mesmo com luvas. Ainda assim, foi impossível resistir ao desejo de sair e registrar em vídeo esse momento único.
“O ar gelado, puro e cristalino era reconfortante”, relata Bertolina Maffei, moradora do local que aproveitou a ocasião para fazer uma transmissão ao vivo do fenômeno, para seu canal no youtube. “E a geada sob os pés fazia um barulho gostoso de se ouvir — como se a natureza estivesse sussurrando lembranças de outros invernos.”
Como se forma a geada
A geada ocorre quando o ar próximo ao solo atinge temperaturas iguais ou inferiores a 0°C e a umidade do ar se condensa diretamente na forma de cristais de gelo sobre superfícies expostas — como folhas, telhados, pastagens e até mesmo sobre o chão de terra batida. É um fenômeno mais comum em noites de céu limpo e vento calmo, quando o calor acumulado durante o dia se dissipa com mais facilidade.
Esse resfriamento mais acentuado ocorre de baixo para cima, ou seja, o ar junto ao solo esfria mais rapidamente do que o ar em camadas mais altas. Assim, áreas de baixada ou locais com pouca movimentação de ar são mais propensos a registrar geadas.
No caso do município de Alfredo Wagner, os efeitos da altitude acentuam ainda mais o fenômeno. Se no Saltinho — que está a 430 metros acima do nível do mar — os campos amanheceram branquinhos, é de se imaginar que nas comunidades mais elevadas, como São Leonardo, Santa Bárbara ou mesmo a região da Lomba Alta ou Demoras, o frio tenha sido ainda mais intenso e a geada mais espessa.
Entre o frio e a beleza
Geadas podem trazer prejuízos à agricultura, mas também carregam uma beleza singular. Há algo de poético na forma como transformam a paisagem, cobrindo a natureza com um manto branco e silencioso. É como se a madrugada tivesse bordado cristais sobre a terra, e o amanhecer revelasse esse trabalho minucioso sob a luz pálida do sol.
Mais do que um simples registro meteorológico, a geada de hoje foi um presente para os olhos atentos e o coração sensível de quem sabe contemplar os sinais do tempo. Em tempos em que as estações parecem confusas, ver o inverno cumprir seu papel — com frio, geada e silêncio — é quase um privilégio.
Para quem acordou cedo e teve a coragem de enfrentar o ar gelado, ficou a lembrança: o frio dói, mas também emociona. E quando o campo amanhece branco, o inverno mostra que ainda guarda surpresas — mesmo depois de tantos anos.
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