Você ainda conversa com alguém — de verdade?
Não vale áudio de dois minutos nem comentários rápidos num grupo de WhatsApp.
Estamos falando de conversa mesmo: com pausa, olhar atento, silêncio entre uma frase e outra, e aquele costume antigo de ouvir sem pressa.Houve um tempo em que conversar era um modo de viver. Hoje, parece quase um luxo.
Quando cheguei a esta cidadezinha — que hoje já não é tão pequena assim —, o que mais me encantou não foram as casas de madeira, nem as montanhas ao longe, nem o sino da igreja chamando os fiéis. Foi o povo. E mais do que o povo, o modo como ele conversava.
Conversava-se por tudo e por nada. Conversava-se na sombra da quitanda, no banco da praça, na barbearia, no corredor do hospital, na fila do banco, na beira da cerca, e — por que não? — até no meio do serviço pesado. Entre uma enxada e outra, havia sempre uma história pra contar, um conselho a dar, um ditado a repetir.
E havia, sobretudo, escuta. As palavras não eram atropeladas como são hoje, não eram arremessadas como manchete de tragédia. Tinham começo, meio e fim — e às vezes voltavam ao começo, porque a memória pedia bis.
Era assim que se aprendia: ouvindo. Conversar era ler sem papel. Era estudar sem sala. Era rir, às vezes chorar, e quase sempre sair dali melhor do que se chegou.
Hoje, vejo que a arte da conversa foi encolhendo. Primeiro vieram os celulares. Depois, as redes. E agora as conversas se perderam entre figurinhas, memes e frases soltas que não dizem quase nada. A gente se comunica mais, mas se entende menos. Informa-se o tempo todo, mas compreende-se cada vez menos.
E com isso, perdemos também os velhos contadores de histórias, os mestres da palavra simples, os filósofos do campo e da calçada. Ninguém mais pergunta: “E aí, como vai a vida?”. Ninguém mais escuta a resposta inteira.
Mas se por acaso, numa tarde mais lenta, você encontrar alguém sentado num banquinho de madeira, com olhos tranquilos e tempo sobrando, sente-se também. Dê bom-dia. Pergunte do tempo, da família, da vida. Espere a resposta. Deixe a conversa brotar.
Você talvez descubra, como eu descobri, que há mais sabedoria em dez minutos de boa conversa do que em um mês de manchetes e vídeos curtos.
Porque havia um tempo — e não faz tanto assim — em que falar era um jeito de se aproximar, e ouvir era um gesto de amor.
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