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BRICS 2025 no Rio: promessas, ausências e os desafios de um gigante diverso

Jornalista Mauro Demarchi, 07/07/202507/07/2025

Por Mauro Demarchi

A Cúpula do BRICS 2025, realizada no Rio de Janeiro entre os dias 6 e 7 de julho, encerrou-se com um misto de entusiasmo e cautela. Representantes de 11 países membros — além de uma dezena de convidados do Sul Global — discutiram temas estratégicos como reforma de instituições internacionais, cooperação financeira, inteligência artificial e mudanças climáticas. No entanto, a ambição do encontro esbarrou, mais uma vez, na diversidade e nas limitações estruturais do próprio grupo.

O evento reforçou a relevância crescente do BRICS como um fórum de articulação entre países emergentes. Com novos membros como Egito, Irã e Etiópia, e com a presença de nações convidadas como Cuba, Bolívia, Nigéria e Vietnã, o bloco passou a representar mais da metade da população mundial e uma fatia significativa da economia global. Essa pluralidade, por si só, é um feito diplomático de peso — mas também é seu maior desafio.

Avanços importantes

O Brasil, anfitrião do evento, aproveitou o protagonismo para propor uma pauta ousada. A “Declaração do Rio”, documento final da Cúpula, defendeu reformas no Conselho de Segurança da ONU, maior representação no FMI e mudanças na governança do Banco Mundial. Essas propostas não são novas, mas ganham fôlego diante da crescente insatisfação com a hegemonia das potências ocidentais nas decisões multilaterais.

Outro avanço foi o fortalecimento da agenda ambiental e tecnológica. O lançamento de uma declaração sobre a governança global da inteligência artificial mostra que o BRICS não está alheio às pautas mais contemporâneas. Além disso, os países discutiram um fundo climático voltado a ações conjuntas na preservação ambiental, com destaque para a proteção da Amazônia e para a preparação conjunta rumo à COP30.

Na área financeira, destacou-se a tentativa de reduzir a dependência do dólar em transações bilaterais. Propostas de uso de moedas locais, pagamentos via blockchain e integração de sistemas como o Pix brasileiro foram debatidas com entusiasmo. Embora ainda sem cronograma concreto, a simples articulação nesse sentido já indica uma busca por autonomia e soberania econômica.

Problemas que permanecem

Contudo, o encontro também evidenciou limitações preocupantes. A ausência física de líderes como Xi Jinping e Vladimir Putin reduziu o peso simbólico da reunião. A delegação russa, embora presente virtualmente, não teve a mesma força diplomática. A ausência de chefes de Estado de alguns novos membros sinalizou, também, uma possível falta de engajamento dos recém-chegados com a agenda do bloco.

Além disso, a heterogeneidade política e econômica dos países-membros compromete a coesão. Como alinhar democracias como Brasil, África do Sul e Índia com regimes autoritários como Irã, Rússia e Emirados Árabes? Essa diversidade, embora rica em representatividade, dificulta acordos mais concretos e sustenta críticas de que o bloco ainda carece de unidade estratégica.

A própria declaração final optou por uma linguagem diplomática e genérica, evitando menções diretas a conflitos geopolíticos mais espinhosos, como a guerra na Ucrânia ou as ameaças comerciais recentes dos Estados Unidos. A prudência é compreensível, mas a falta de posicionamento firme em temas cruciais enfraquece a autoridade moral do grupo.

O futuro depende da ação

A Cúpula do BRICS no Rio de Janeiro foi, sem dúvida, um marco. O Brasil demonstrou habilidade diplomática e colocou na mesa pautas que ressoam em muitos países que se sentem marginalizados na ordem mundial. No entanto, o êxito do BRICS dependerá menos de discursos e mais da capacidade de transformar intenções em políticas concretas.

A criação de um sistema de pagamentos em moedas nacionais, por exemplo, só terá impacto se for realmente implementado. Da mesma forma, a defesa de uma reforma do Conselho de Segurança da ONU precisa sair da retórica e encontrar respaldo entre os países desenvolvidos — um desafio imenso.

Em um mundo cada vez mais polarizado, o BRICS se posiciona como alternativa. Mas para ser mais do que uma sigla robusta e simbólica, o bloco precisa mostrar resultados. A próxima grande prova virá na COP30 e, antes disso, na reação do sistema internacional às propostas lançadas no Rio.

Até lá, permanece a dúvida: o BRICS será um novo polo de poder global ou apenas um clube de boas intenções?

Tempo de leitura4 min

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