Por Mauro Demarchi – 10 de julho de 2025
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou aos holofotes internacionais ao assumir publicamente a defesa do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, atualmente réu em processo no STF. Em tom dramático, Trump disparou em sua rede Truth Social: “Deixem Bolsonaro em paz! Ele não é culpado de nada!”. Dias depois, como retaliação simbólica, anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, alegando perseguição política ao “amigo injustiçado”.
Aparentemente, o leão norte-americano quis rugir — mas o efeito, do ponto de vista econômico, mais se assemelha a um miado.
💰 Economia brasileira pouco sente a mordida
Segundo análise do Prof. Dr. Mário Carabajal, presidente da Academia de Letras do Brasil e especialista em Relações Internacionais, a economia brasileira é 98% independente dos Estados Unidos. As exportações para o país representam apenas cerca de 2% do nosso PIB — o que significa que mesmo uma tarifa de 50% sobre metade dessas exportações atingiria menos de 1% da nossa economia.
Ou seja: o gesto de Trump, embora barulhento, tem efeito muito limitado. Não ameaça o equilíbrio econômico brasileiro nem coloca em risco sua autonomia. Pelo contrário, nas palavras do Dr. Carabajal, esse cenário fortalece a soberania nacional, ao demonstrar resiliência frente a pressões externas.
🧠 Política do caos e manipulação emocional
O episódio, no entanto, ganha contornos interessantes no plano psicológico e político. Para setores do bolsonarismo, que vêm enfrentando deserções internas e queda de popularidade, a ação de Trump surge como uma espécie de salvação simbólica: um gesto internacional que reforça a narrativa de “perseguição”, usada recorrentemente para mobilizar a base.
As redes sociais foram inundadas por mensagens que transformam a tarifa em um “evento geopolítico histórico”, tentando recriar o ambiente emocional de 2018, quando o discurso do “Brasil contra tudo e contra todos” ainda tinha fôlego. Mas agora, com menos seguidores a bordo, resta à retórica o papel de remendar uma nau que já balança ao sabor dos ventos judiciais e das mudanças de humor do eleitorado.
Lula também aprecia a carta de Trump com taxações, pois desvia o foco das atividades esquerdistas do presidente brasileiro, o coloca como vítima da intransigência americana e joga lenha na futura eleição que precisa de um ambiente de fermentação para que surjam os futuros candidatos.
🏛️ O peso das instituições
O cenário revela uma lição importante: a democracia brasileira, ainda que imperfeita, tem instituições capazes de manter o curso mesmo diante de ruídos internacionais. O julgamento de Bolsonaro segue dentro do STF. E, ao contrário do que insinuam seus defensores, não é a pressão americana que definirá os rumos da Justiça no Brasil — mas a Constituição, o devido processo legal e o amadurecimento da sociedade civil.
Enquanto isso, Trump segue nos Estados Unidos, buscando capitalizar politicamente em cima de aliados latinos. E Bolsonaro, agora com um miado diplomático a seu favor, ainda enfrenta um rugido bem mais temido: o da Justiça brasileira.
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