Nesta sexta-feira, 25 de julho de 2025, o Brasil se encontra numa encruzilhada delicada. De um lado, enfrenta uma inflação persistente e uma política monetária que parece sem saída. De outro, vê-se pressionado por sanções comerciais unilaterais dos Estados Unidos, movidas não por razões econômicas reais, mas por interesses políticos escancarados.
O que está em jogo é mais do que a cotação do dólar ou o índice IPCA. É a capacidade de o Brasil manter sua soberania econômica e sua estabilidade interna diante de uma conjuntura internacional e doméstica cada vez mais adversa — e, ao mesmo tempo, não perder de vista a prudência fiscal, a credibilidade monetária e a paz social.
A economia em estado de espera
Com uma inflação acumulada de 5,30% em 12 meses — acima do teto da meta — e a taxa básica de juros (Selic) em 15%, o Banco Central se vê de mãos atadas. A prometida queda de juros, tão esperada por empresários e consumidores, foi novamente adiada. A autoridade monetária teme que qualquer sinal de afrouxamento agora acabe desancorando as expectativas de inflação, sobretudo diante do choque que virá com as tarifas americanas.
A verdade é que os juros altos começam a sufocar o setor produtivo, encarecem o crédito, desestimulam o consumo e travam o crescimento. Mas baixar a guarda cedo demais pode ser um erro com custos ainda maiores. É um dilema clássico que exige frieza e comunicação clara. A falta de confiança não se resolve com gestos populistas, mas com coerência institucional.
Trump, Bolsonaro e o uso político das tarifas
A imposição de tarifas de 50% por parte do governo Donald Trump sobre produtos brasileiros a partir de agosto expôs um dos momentos mais vergonhosos da diplomacia econômica recente. A justificativa? Suposta “interferência política” no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. Não se trata, portanto, de uma sanção comercial, mas de uma represália política — que instrumentaliza a economia para interferir em assuntos internos de um país soberano.
O governo brasileiro tem reagido com moderação e inteligência. A proposta de linhas de crédito emergenciais para proteger 10 mil empresas atingidas é um alívio necessário, embora insuficiente a longo prazo. O vice-presidente Geraldo Alckmin fez bem em manter o diálogo com autoridades americanas, mesmo diante do silêncio diplomático dos EUA desde maio. É preciso insistir na via racional, mesmo quando o outro lado joga com chantagem.
O risco do improviso e a necessidade de reformas
A situação externa se agrava também por outros sinais de fragilidade: déficit em conta corrente aumentando, queda nos investimentos estrangeiros e uma dívida externa bruta que já ultrapassa os 360 bilhões de dólares. É um retrato de um país que precisa urgentemente de uma âncora fiscal sólida e de reformas estruturais que atraiam capital produtivo, e não apenas recursos de curto prazo seduzidos por juros altos.
Ao mesmo tempo, é fundamental que o país não caia na tentação do improviso. A criação de subsídios apressados, de proteções setoriais ou de políticas distributivistas sem responsabilidade fiscal pode agradar no curto prazo, mas cobra a conta depois — como o Brasil bem sabe por experiências passadas.
Conclusão: firmeza e responsabilidade
Não há soluções fáceis. Mas há caminhos. E eles passam pela defesa firme da soberania brasileira, sem histeria nacionalista, e pela preservação das instituições econômicas, sem ceder a pressões populistas. O governo Lula, por mais desgastado que esteja politicamente, tem a oportunidade — e o dever — de conduzir o país com lucidez.
A crise pode ser uma oportunidade para mostrar que o Brasil amadureceu. Que não se dobra a ameaças externas nem se perde em aventuras internas. O país já enfrentou coisa pior. Mas, como sempre, o sucesso vai depender de equilíbrio, paciência e, sobretudo, visão de longo prazo.
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