Ao se fazer de aliado da direita brasileira, presidente dos EUA impõe tarifa que atinge em cheio a base econômica de Bolsonaro
Por Mauro Demarchi – Publicado em 31 de julho de 2025
“Um grande dia para a América”, escreveu Donald Trump em sua rede Truth Social ao anunciar a nova tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Mas para o agro brasileiro — fiel escudeiro do ex-presidente Jair Bolsonaro — o anúncio veio como um tiro pelas costas.
Com a nova medida, oficializada em 30 de julho e válida a partir de 1º de agosto, os EUA taxam duramente diversos produtos brasileiros, deixando de fora apenas setores com pouca ou nenhuma ligação com o bolsonarismo: suco de laranja, aeronaves da Embraer, minério de ferro e insumos industriais. Já o coração da base ruralista — carnes, grãos, commodities agrícolas — entrou na linha de fogo.
O contraste não passou despercebido. Enquanto o suco de laranja escapou ileso, a carne bovina, uma das maiores fontes de renda de pecuaristas alinhados à direita, poderá sofrer um baque comercial. Isso levanta uma pergunta incômoda, mas inevitável: Trump, que aparenta ser aliado de Bolsonaro, estaria punindo exatamente aqueles que mais o apoiam?
🔥 O recado de Washington ao agro bolsonarista
A exclusão seletiva dos produtos — favorecendo setores industriais e penalizando o agro — parece carregar uma mensagem política camuflada sob uma decisão econômica. Segundo analistas, pode estar em curso uma retaliação indireta aos movimentos da extrema-direita brasileira, que nos bastidores teria pressionado Trump para forçar uma “libertação” simbólica de Bolsonaro, ainda às voltas com investigações e restrições judiciais.
Nos bastidores da diplomacia, Eduardo Bolsonaro vem tentando demonstrar força em Washington. Mas, ironicamente, o resultado prático da nova ordem executiva de Trump foi a penalização direta de seus maiores aliados no Brasil: os produtores rurais.
🐄 Menos exportação, mais carne no prato?
Se há um efeito colateral positivo dessa medida, ele pode beneficiar o povo brasileiro: o possível recuo no preço da carne no mercado interno. Com o canal de exportações para os EUA encarecido ou temporariamente fechado, frigoríficos e pecuaristas terão de voltar os olhos ao consumidor brasileiro, freando a escalada de preços que afastou o bife do prato da classe média e baixa.
Ou seja: ao taxar o agro bolsonarista, Trump, involuntariamente ou não, pode ter dado um alívio ao bolso do consumidor brasileiro.
🤝 Trump é amigo de quem?
A nova tarifa expõe uma contradição: Trump se diz amigo de Bolsonaro, mas atinge em cheio a base econômica da direita brasileira. Enquanto isso, o setor industrial — muitas vezes crítico à agenda bolsonarista — foi poupado. Assim como o suco de laranja, controlado por grandes corporações com baixa influência ideológica.
Mais do que uma questão comercial, a medida abre espaço para uma leitura geopolítica: os EUA estariam agindo com pragmatismo, favorecendo setores estratégicos para sua própria economia, enquanto pressionam silenciosamente os aliados radicais de Bolsonaro, com quem o relacionamento já não é tão simples quanto no passado.
🧠 Conclusão: entre a retaliação e a manipulação
A nova rodada de tarifas americanas lança o agro brasileiro numa encruzilhada: está sendo punido por sua ligação com Bolsonaro ou sendo manipulado para pressionar o governo Lula de dentro para fora?
Seja qual for a resposta, o que se vê é um movimento contraditório: a direita ruralista pressionou por Trump, e Trump apertou o cerco justamente sobre ela. Eduardo Bolsonaro pode até manter seu prestígio nos bastidores, mas os fatos mostram que o bolsonarismo agro levou a conta — e o povo, quem sabe, poderá pagar menos por isso.
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