Entrevistado: Prof. Dr. Mário Carabajal – Especialista em Pesquisa Científica, Mestre em Relações Internacionais, Doutor em Ciências Educacionais
Mediação organizacional de pesquisas e confirmação de fonte de dados históricos: ChatGPT
“Democracia se testa processando quem tentou destruí-la” – afirma Prof. Dr. Mário Carabajal
O pesquisador e doutor em Ciências Educacionais denuncia interferências externas no Brasil, critica políticas antidemocráticas de Donald Trump e alerta: “Recusar-se a julgar um golpe é trair a Constituição”.
Jornal Alfredo Wagner Online: Professor Mário, Donald Trump adotou medidas e discursos que impactam o Brasil. Qual sua avaliação sobre sua postura frente à democracia e aos direitos humanos?
Mário Carabajal: Trump combina ações internas questionadas por organismos internacionais com uma postura externa que interfere diretamente em países como o Brasil. Ao elevar tarifas, impor sanções e atacar nosso Judiciário1, pratica o que chamo de “transferência acusatória”: projeta nos outros as falhas de seu próprio governo — violações a direitos humanos, comércio coercitivo e ataques à imprensa.
JAW: Pode citar exemplos dessa “transferência acusatória”?
Mário Carabajal: Sim. Nos EUA, Trump implementou o “zero tolerance”, que separou à força milhares de famílias migrantes,2 condenado pela ONU3 e por entidades de direitos humanos.4 Criou o **“Remain in Mexico”**5 e invocou o Title 426 negando asilo sob pretexto sanitário. Essas políticas violam tratados internacionais. Hoje, ao criticar o Brasil, desvia o foco de seu próprio legado e interfere em nossos assuntos internos.
JAW: E quanto às sanções e tarifas impostas ao Brasil durante o processo judicial contra Bolsonaro?
Mário Carabajal: Trata-se de chantagem tarifária com motivação política7, afrontando normas da OMC e a não-ingerência prevista na ONU. Atacar a independência judicial com pressão econômica é inaceitável.
JAW: O Brasil é comparável a abusos contra direitos humanos?
Mário Carabajal: Não. Temos problemas sérios, mas não praticamos políticas como separação forçada2 ou proibição de entrada por critério religioso8. Avançamos no combate à fome e fortalecemos universidades e imprensa, ao contrário dos cortes e ataques da era Trump9.
JAW: Como responde à resistência de servidores em conduzir o processo sobre a tentativa de golpe?
Mário Carabajal: São mais de cem investigados, com provas robustas: rascunho de “discurso pós-golpe”10, plano de assassinato de autoridades11, logística e financiamento documentados. Recusar-se a processar isso pode configurar prevaricação. A democracia não sobrevive se quem deve defendê-la recua.
JAW: Sua mensagem final para o Brasil?
Mário Carabajal: “A democracia é testada justamente quando processa poderosos que tentaram destruí-la. Ninguém está acima da lei. O Brasil deve mostrar que não se curva a intimidações externas nem internas.
Notas de Rodapé
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- Financial Times, “Trump levanta tarifas contra Brasil e impõe sanções a ministros do STF” (2025). [↩]
- Human Rights Watch, “US: Family Separation Harms Thousands of Children” (2018). [↩] [↩]
- ONU – Declaração de Michelle Bachelet (2018). [↩]
- American Civil Liberties Union, “Family Separation By the Numbers” (2021). [↩]
- Migration Policy Institute, “Migrant Protection Protocols” (2020). [↩]
- CDC, “Order Suspending Introduction of Certain Persons” (2020). [↩]
- Reuters, “Trump’s tariffs tied to Bolsonaro case” (2025). [↩]
- Supreme Court of the US, Trump v. Hawaii, 585 U.S. (2018). [↩]
- Committee to Protect Journalists, “The Trump Administration and Press Freedom” (2021). [↩]
- BBC Brasil, “PF encontra rascunho de discurso pós-golpe” (2024). [↩]
- O Globo, “PF detalha plano de assassinato de autoridades” (2024). [↩]