Nos bastidores da política, há um fenômeno curioso: grandes líderes muitas vezes dependem de grandes inimigos. Durante os últimos anos, Lula e Bolsonaro foram, para o bem ou para o mal, o combustível um do outro. Enquanto Bolsonaro mobilizava sua base contra “o petismo”, Lula ressurgia como o opositor necessário para reacender a militância e reconstruir seu capital político.
Não foi sempre assim. Durante o governo Dilma Rousseff, o PT viveu seus piores índices de aprovação. A insatisfação corroeu as fileiras do partido, que em muitos municípios praticamente desapareceu — em Alfredo Wagner, por exemplo, o número de filiados caiu de mais de cem para alguns poucos. Sem uma oposição forte para reagir, o partido parecia à deriva.
A chegada de Bolsonaro ao Planalto foi o divisor de águas. A polarização extrema, a retórica constante e as pautas de confronto trouxeram de volta ao PT o papel de protagonista da oposição. Cada ataque, cada provocação, reforçava a figura de Lula como alternativa.
Agora, o cenário mudou. Fora do poder e com problemas judiciais, Bolsonaro perdeu o protagonismo. Mas Lula parece ter encontrado um novo antagonista: Donald Trump. As recentes declarações do ex-presidente norte-americano contra o líder brasileiro ganharam destaque incomum na imprensa nacional, ecoando nas redes sociais e despertando reações semelhantes às que os embates com Bolsonaro provocavam.
O que Lula busca com esse novo foco? Talvez não seja apenas defender o Brasil de críticas estrangeiras ou responder sobre tarifas e cartões de crédito. É possível que o objetivo seja maior: consolidar-se como líder global, capaz de enfrentar de igual para igual a “águia americana”. Na geopolítica, antagonistas poderosos podem ser vitrines.
Seja coincidência ou cálculo político, a verdade é que Lula e Trump parecem feitos sob medida para se oporem publicamente a nível internacional. Um embate que interessa aos dois: para Trump, é mais um símbolo de resistência ao “socialismo” latino-americano; para Lula, é a chance de projetar-se como voz independente em um mundo cada vez mais multipolar.
No final, talvez estejamos vendo o início de uma nova temporada de uma velha série: líderes que crescem quando têm contra quem lutar. E Lula, mais uma vez, encontrou um rival à altura — ainda que este more a milhares de quilômetros de Brasília.
Fique informado, tenha acesso a mais de 15 colunistas e reportagens exclusivas sobre Alfredo Wagner e região! Acesse Canal no Whatsapp do Jornal Alfredo Wagner Online aqui! Jornal Alfredo Wagner Online aqui!