O Ranking Mundial de Competitividade 2025, elaborado pelo IMD em parceria com a Fundação Dom Cabral, expôs um dado incômodo: o Brasil figura entre os últimos colocados em pilares essenciais ao desenvolvimento, como custo de capital (69º lugar), protecionismo (68º), finanças públicas (67º), legislação trabalhista relacionada ao desemprego (67º) e adaptabilidade das políticas governamentais (67º).
A leitura imediata feita por alguns parlamentares foi culpar o governo federal, apontando erros na condução da economia e na gestão do Orçamento. Mas essa narrativa é apenas meia verdade. O Congresso Nacional também tem participação direta em cada um desses indicadores. Muitas vezes, deputados e senadores criticam no Executivo aquilo que eles próprios ajudaram a criar — ou impediram de corrigir.
Eis alguns exemplos recentes que mostram como Executivo e Legislativo dividem responsabilidades:
📊 Congresso x Governo – Exemplos de Responsabilidade Compartilhada
| Tema / Problema | Papel do Governo (Executivo) | Papel do Congresso (Legislativo) | Resultado para o Brasil |
|---|---|---|---|
| Finanças Públicas / Déficit | Eleva gastos, cria programas sem indicar fontes sólidas de receita. | Expande orçamento com emendas impositivas e pressiona por mais despesas. | Orçamento engessado, risco fiscal maior. |
| Custo de Capital (69º no ranking) | Mantém instabilidade macroeconômica e metas fiscais pouco críveis. | Resiste a reformas que simplificariam tributos e reduziriam burocracia. | Crédito caro, investimento desestimulado. |
| Protecionismo (68º lugar) | Impõe tarifas e barreiras em nome da “indústria nacional”. | Aprova reservas de mercado e regimes especiais para setores. | Baixa abertura comercial, pouca inovação. |
| Legislação trabalhista (67º lugar) | Reforça normas que engessam relações de trabalho. | Resiste a flexibilizar leis e aprova encargos adicionais. | Mercado de trabalho rígido, desemprego estrutural. |
| Adaptabilidade das Políticas (67º lugar) | Lentidão e improviso na execução de políticas públicas. | Trava ou altera propostas conforme interesses de bancadas. | Baixa previsibilidade, desconfiança de investidores. |
| Reforma Tributária | Apresenta proposta genérica e lenta na implementação. | Demora décadas para votar e retalha o texto com exceções. | Reforma aprovada, mas complexidade permanece. |
O jogo de empurra
A verdade é que o Brasil perde competitividade porque Executivo e Legislativo não assumem juntos a responsabilidade das reformas estruturais. Deputados e senadores ampliam despesas e travam mudanças impopulares; governos, por sua vez, gastam sem planejamento e cedem a pressões de curto prazo.
Enquanto isso, a conta é paga por quem produz, investe e trabalha. O país continua mal posicionado nos rankings internacionais, afugentando investimentos e comprometendo o crescimento de longo prazo.
Se há um consenso possível, é este: não existe solução sem corresponsabilidade política. Jogar a culpa apenas no governo é confortável para o Congresso, mas injusto com a sociedade que espera liderança e visão de futuro.
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