Um manifesto da plataforma Gab AI reacende o debate sobre o controle das Big Techs e apresenta a ideia de uma “camada alternativa” sobre a web existente. Mas até que ponto essa promessa é viável?
Durante os anos 1990, a internet foi celebrada como um território livre, um espaço aberto onde ideias circulavam sem fronteiras. Três décadas depois, essa visão parece distante. Hoje, o ambiente digital é dominado por gigantes tecnológicos — Google, Meta, Amazon, X — que centralizam dados, controlam algoritmos e decidem o que pode ou não ganhar visibilidade.
Foi nesse contexto que Andrew Torba, CEO da Gab AI, divulgou recentemente um manifesto intitulado “A Internet Paralela”. No texto, ele acusa as Big Techs de transformarem a web em um “império digital” de vigilância e censura, e anuncia o lançamento de uma extensão de navegador que promete devolver aos usuários a liberdade de expressão.
A proposta é ousada: criar uma camada sobreposta à internet atual. Na prática, isso significaria que qualquer página — de redes sociais a portais de notícias — poderia receber comentários, anotações e contrapontos gerados por inteligência artificial, sem depender das regras impostas pelas plataformas. Um artigo de jornal, por exemplo, deixaria de ser apenas um bloco de texto e passaria a ser acompanhado de checagens automáticas, alertas de viés e interpretações alternativas.
A ideia não é inédita. Anos atrás, a própria Gab lançou o Dissenter, uma extensão que permitia comentar em qualquer site, banida depois pelo Chrome e Firefox. Agora, com o reforço da inteligência artificial, o projeto ressurge embalado por uma narrativa de resistência: um “David digital” contra os “Golias” do Vale do Silício.
Mas até que ponto essa visão é realista? Especialistas em tecnologia apontam que iniciativas paralelas muitas vezes acabam criando novas bolhas de opinião em vez de ampliar o diálogo. Além disso, o histórico da Gab — frequentemente associada a grupos radicais nos Estados Unidos — levanta questionamentos sobre qual tipo de “verdade” essa camada alternativa estaria promovendo.
Ainda assim, o manifesto de Torba levanta uma questão crucial: quem deve controlar o espaço público digital? As plataformas privadas, com seus algoritmos opacos? Governos, com risco de censura estatal? Ou comunidades descentralizadas, que podem se fragmentar em nichos isolados?
Para o jornalismo, esse debate é vital. Se a promessa da “internet paralela” se concretizar, veículos de comunicação poderão ser confrontados em tempo real por camadas de críticas automáticas. Isso representa tanto um desafio à autoridade editorial quanto uma oportunidade de reforçar a transparência e a checagem de informações.
O que parece certo é que a disputa pelo futuro da internet está apenas começando. E, no meio desse embate entre Big Techs, startups insurgentes e comunidades digitais, o usuário comum será chamado a escolher de que lado quer navegar.
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