O semáforo fechou e o carro da frente não arrancou de imediato. O motorista atrás buzinou, como se o mundo inteiro estivesse atrasado. Eu só observava, parado, pensando que a política é mais ou menos assim: quando alguém atrasa um segundo que seja, o resto do comboio perde a paciência.
Esses dias, vi na TV que Bolsonaro anda cada vez mais sozinho. Generais que batiam continência agora dizem que só estavam “cumprindo ordens”. Advogados trocam de lado como quem troca de paletó. E os velhos aliados, que viviam no palanque ao seu lado, já falam baixo o nome dele — quando falam.
Lembrei que, não faz tanto tempo, foi assim também com Lula. No auge dos processos da Lava Jato, muita gente saiu do PT como quem foge de casa pegando só a escova de dentes. Alguns foram parar, veja só, no colo do próprio Bolsonaro. A política parece ter esse poder de virar casaco em tempo recorde.
É como se cada líder fosse um guarda-chuva na tempestade: enquanto protege, todos se apertam debaixo. Quando começa a furar, cada um corre pra não se molhar. Ninguém quer ficar encharcado por lealdade.
A verdade é que a política não tem amigos; tem interesses. Hoje você é útil, amanhã, um peso morto. Não importa se foi você quem puxou o carro da frente por anos — basta uma freada brusca, e os de trás te ultrapassam buzinando.
E ali, no meio do trânsito parado, percebi que talvez o erro seja acreditar que existe gratidão nesse jogo. Não existe. Só cálculo.
O sinal abriu. O carro da frente andou. E cada um seguiu seu caminho, como sempre faz.
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