A reportagem do Intercept Brasil, publicada em 15 de setembro, revelou os bastidores da estrutura montada pela Igreja Universal do Reino de Deus para atuar politicamente nas eleições de 2026. Segundo a apuração, pastores e obreiros vêm recebendo treinamento para mobilizar fiéis, acompanhar a regularização de títulos de eleitor, e disseminar mensagens alinhadas a candidatos específicos — principalmente por meio do partido Republicanos, ligado à própria igreja.
A engrenagem em movimento
São estratégias que envolvem desde redes de WhatsApp e visitas domiciliares até o uso da TV Record e de podcasts religiosos, criando uma malha que mistura discurso espiritual e propaganda política. O objetivo declarado: impedir que a esquerda volte ao poder em 2026.
O pragmatismo como marca
Apesar do discurso atual ser abertamente contrário à esquerda, Edir Macedo não é um aliado automático da direita. Em momentos decisivos, já apoiou candidatos petistas, incluindo o próprio Lula. O que parece mover suas escolhas não é ideologia, e sim cálculo estratégico: apoiar quem esteja mais bem posicionado para vencer e garantir espaço para a Universal na futura configuração de poder.
Essa lógica oportunista, que ora se aproxima da direita, ora da esquerda, mostra que as atuais movimentações não garantem fidelidade a nenhum campo político. Uma eventual guinada pró-PT — hoje improvável, mas não impossível — não seria uma novidade histórica.
Duas minorias em campo aberto
Tanto a esquerda quanto a Universal representam, no fim das contas, minorias organizadas que disputam influência em um campo que não lhes pertence por natureza: a fé do povo brasileiro e o destino da nação. Embora cada uma tenha milhões de seguidores e simpatizantes, estão longe de representar a totalidade do país.
E é justamente aí que está o ponto mais sensível: duas forças altamente organizadas e barulhentas lutam pelo voto de uma maioria silenciosa, distraída ou desinteressada.
A maioria passiva e distraída
Enquanto isso, a maior parte da população segue alheia à disputa, consumindo apenas fragmentos de informação em redes sociais, preferindo conteúdos curtos, memes, vídeos rápidos — ou gastando suas energias (e dinheiro) em jogos de azar e apostas esportivas.
Essa maioria, que poderia definir os rumos da nação, deixa que outros decidam por ela — abrindo espaço para que estruturas bem organizadas e persistentes, como a da Universal, avancem com relativa facilidade sobre um terreno quase vazio de resistência cívica.
Um embate que moldará 2026
O resultado desse choque entre militância partidária e mobilização religiosa pode influenciar decisivamente o rumo das eleições de 2026. E se há algo certo nesse jogo, é que quem vence não é necessariamente quem representa a maioria do povo — mas quem consegue mobilizá-la, ainda que por um instante.
Até lá, permanece a pergunta: quem conquistará o voto da multidão distraída?
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