Em 26 de abril de 1908, o jornal O Dia, publicado em Santa Catarina, registrava a assinatura de um contrato que marcaria o início de uma importante ligação entre o litoral e o planalto: a estrada que partiria da Barra do Rio Caeté até encontrar a estrada Blumenau–Curitibanos. O documento, hoje preservado no acervo digital da Biblioteca Nacional, revela um momento decisivo na história da infraestrutura catarinense — e pode ser considerado o primeiro traçado da atual SC-350.
O contrato foi firmado entre o Governo do Estado de Santa Catarina e o empreiteiro Carlos Napoleão Poeta, que se comprometia a abrir e construir o trecho de ligação entre o alto e o médio vale permitindo o acesso ao planalto. O texto do jornal detalha as condições: execução por empreitada, prazos rigorosos, multas diárias em caso de atraso e obrigação de conservar a estrada em bom estado após a conclusão. Era o início de uma obra que buscava integrar regiões ainda isoladas, ligando a estrada para Lages e a estrada de Blumenau às terras altas de Curitibanos, partindo da Barra do Rio Caeté — hoje território de Alfredo Wagner.
Embora o documento não traga a extensão total nem o valor global da obra, a notícia mostra que já em 1908 havia interesse público e planejamento para abrir a via que se tornaria um dos eixos centrais da comunicação entre o litoral e o planalto sul-catarinense. Na época, estradas eram abertas com ferramentas manuais e grande esforço humano, exigindo meses de trabalho em áreas montanhosas e de difícil acesso.
A figura de Carlos Napoleão Poeta merece destaque. Representa a geração de construtores que, contratados pelo poder estadual, transformaram antigas trilhas de tropeiros em estradas carroçáveis. O registro de seu nome no contrato de 1908 o coloca entre os pioneiros das obras rodoviárias de Santa Catarina.
Hoje, mais de um século depois, o traçado original evoluiu, recebeu novos revestimentos e alargamentos, e passou a ser oficialmente identificado como SC-350 — rodovia que liga Alfredo Wagner a Ituporanga e todo o Vale do Itajaí do Sul, servindo como importante corredor de desenvolvimento e turismo.
A redescoberta desse documento histórico permite reconhecer que a SC-350 nasceu de um projeto visionário do início do século XX, quando a construção de estradas era símbolo de progresso e integração territorial. O trecho entre a Barra do Rio Caeté e o entroncamento Blumenau/Curitibanos foi, portanto, a semente da rodovia que hoje corta o coração de Santa Catarina.
Na imagem em destaque um exemplo de como poderia ser o primitivo caminho de Alfredo Wagner a Ituporanga numa figura restaurada destacando o acampamento de viajantes da Serra Catarinense.
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