Em 18 de outubro, quando celebramos o Dia da Arqueologia, surge uma excelente oportunidade para revisitar e valorizar iniciativas locais de preservação da memória e da cultura material. Nesse contexto, vale destacar o Museu de Arqueologia em Lomba Alta, no município de Alfredo Wagner (SC) — oficialmente renomeado em homenagem ao seu idealizador e fundador, Altair Wagner.
Este artigo apresenta um panorama de sua história, acervo, significado e desafios, para que possamos compreender melhor seu valor para a arqueologia catarinense.
1. Um pouco de história
O museu foi inaugurado no dia 20 de outubro de 2002, exatamente no cinquentenário da morte de Alfredo Henrique Wagner — patrono do município de Alfredo Wagner.((https://turismo.alfredowagner.sc.gov.br/post-2907))
A edificação inicia-se como uma réplica, em estilo suíço-germânico, da residência original de Alfredo Henrique Wagner, situada em Lomba Alta.1
O responsável por idealizar o museu foi Altair Wagner, neto de Alfredo Henrique Wagner, que dedicou cerca de dez anos — visitando sistematicamente sítios e vestígios no município e região — para a coleta, catalogação e preservação de artefatos arqueológicos, paleontológicos, geológicos e ecológicos.2
Em 2006-2007 o museu teve de se expandir: o acervo crescia e já não cabia na estrutura inicial, o que levou à execução de um projeto em alvenaria de 369 m², aprovado com apoio da Secretaria de Turismo Cultura e Esporte de Santa Catarina.3
A criação do museu é, portanto, fruto de uma iniciativa local, uma dedicação pessoal de Altair Wagner e da comunidade de Lomba Alta, engajada na preservação de seu patrimônio.
2. A missão e o acervo
O museu tem como missão principal a preservação e divulgação do patrimônio arqueológico, geológico, ecológico, numismático e histórico da região de Alfredo Wagner.4 No acervo destacam-se:
- Artefatos líticos: centenas de pontas de projétil, lascados, polidos, picoteados, coletados em abrigos sob rocha, ‘manchas pretas’, casas subterrâneas e galerias subterrâneas identificadas na região.2
- Zoólitos (rochas esculpidas ou naturalmente moldadas) com formas curiosas, por exemplo um em formato de baleia, identificado em Campinho (município de Alfredo Wagner).((https://www.redalyc.org/journal/3940/394065281007))
- Fragmentos cerâmicos com decoração corrugada — associados a grupos Guarani — coletados no município.((https://www.redalyc.org/journal/3940/394065281007))
- Acervo numismático: coleção de moedas e cédulas nacionais e estrangeiras, acumuladas pelo colecionismo do idealizador.3
- Objetos da história local e da família Wagner: vestuário, louças, ferramentas, mobiliário usado pelos pioneiros da região.3
- Um bosque atrás do museu com árvores nativas e frutíferas da região, como complemento museográfico ecológico à visita.4
Dessa forma, o museu articula arqueologia, história local, ecologia e numismática — oferecendo uma unidade temática de aprendizado interdisciplinar.
3. Importância para a arqueologia e para a comunidade
A localização do museu em Lomba Alta, no interior de Alfredo Wagner, tem duas vertentes importantes:
- Arqueológica/regional: A porção da serra catarinense onde está o município possui numerosos sítios arqueológicos ainda pouco estudados sistematicamente. Estudos recentes apontam mais de 160 possíveis sítios (galerias, abrigos rochosos, manchas pretas) documentados por Altair Wagner e equipes de pesquisadores.2
A visibilidade dada por este museu ajuda a chamar atenção para a preservação desses vestígios e para a necessidade de pesquisa acadêmica e educativa na região. - Social/comunitária: O museu representa um gesto de valorização do patrimônio local — não apenas para pesquisadores mas para o público escolar e comunidade local. Ele fortalece a identidade regional, apoia o turismo cultural e serve como espaço educativo. Conforme relatos, já recebeu diversos grupos escolares e visitantes.3
Além disso, o fato do museu ter sido criado por um morador da própria comunidade (Altair Wagner) reforça a ideia de que a arqueologia não é apenas para pesquisadores de fora, mas pode nascer e ser mantida no seio da comunidade local.
4. Visitação e dicas práticas
Para quem planeja visitar:
- O museu encontra-se na Estrada Geral Barro Preto S/N – Lomba Alta, Alfredo Wagner, Santa Catarina.5
- Conforme a página oficial, o horário de funcionamento é das 8 h às 12 h e 14 h às 18 h, de quarta-feira a domingo.6
- É recomendável entrar em contato antecipadamente (telefone mencionado: 48 3276-1775) para confirmar se está aberto no dia da visita.4
- Aproveite para combinar a visita com o bosque adjacente de árvores frutíferas nativas, ou mesmo outras atrações naturais da região como a Gruta do Poço Certo que fica próxima.((https://turismo.alfredowagner.sc.gov.br/post-2913/))
- Leve tempo para observar os diferentes setores: arqueologia, geologia, paleontologia, numismática — a visita pode levar 1 a 2 horas dependendo do interesse.
- Como se trata de uma instituição em interior rural, comportamento atento: respeite as regras de visitação, evite fotografar indiscriminadamente (uma vez que alguns objetos podem estar em processo de catalogação) e valorize o trabalho voluntário e comunitário do museu.
5. Desafios e perspectivas
Embora o museu tenha relevante valor cultural e científico, enfrenta alguns desafios:
- Sustentabilidade: Manutenção de museus fora dos grandes centros demanda recursos para conservação, atualização de acervo, catalogação digital, estrutura física e comunicação. O relato de 2006-2007 mostra que já foi necessária expansão por falta de espaço.7
- Visibilidade acadêmica: Apesar das pesquisas realizadas, ainda há muitos sítios arqueológicos da região pouco estudados e pouca sistematização científica, o que eleva o valor da colaboração entre comunidade, museu e instituições de ensino.
- Engajamento comunitário contínuo: O museu é fruto da iniciativa local, mas manter a mobilização de voluntários, visitantes e parcerias tende a exigir um esforço constante.
- Conservação de acervo: Objetos arqueológicos, peças com material orgânico ou sensível, precisam de condições adequadas de conservação que podem ser mais difíceis em ambientes de interior.
Por outro lado, as perspectivas são animadoras: o museu pode se tornar um polo de pesquisa regional, receber visitas de escolas de diferentes municípios, promover oficinas de arqueologia e divulgação científica para jovens, além de se integrar cada vez mais ao turismo cultural local.
6. Celebre o dia visitando o Museu de Arqueologia Altair Wagner
No Dia da Arqueologia, celebrar o Museu de Arqueologia Altair Wagner é também uma forma de valorizar a arqueologia de base — aquela que se constrói com a colaboração da comunidade, que reconhece o valor dos vestígios locais e que transforma a memória em patrimônio visível.
Em Alfredo Wagner, o museu oferece esse elo entre passado e presente — entre os antigos habitantes, os artefatos que chegaram até nós e as pessoas de hoje que buscam conhecer, entender e preservar. Que iniciativas como esta continuem a florescer e inspirem novas gerações a cuidar do que antes foi deixado às rochas, às matas, às trilhas da serra.
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- https://turismo.alfredowagner.sc.gov.br/post-2907 [↩]
- https://www.redalyc.org/journal/3940/394065281007 [↩] [↩] [↩]
- https://ohistoriadorsc.blogspot.com/p/meu-tcc-museu-de-arqueologia-de-lomba.html [↩] [↩] [↩] [↩]
- https://turismoalfredowagner.com.br/local/museu-de-arqueologia-de-lomba-alta/ [↩] [↩] [↩]
- https://www.tripadvisor.com.br/LocationPhotoDirectLink-g4138392-d4375810-i225472864-Lomba_Alta_Museum_of_Archaeology-Alfredo_Wagner_State_of_Santa_Catarina.html [↩]
- https://turismo.alfredowagner.sc.gov.br/post-2907/ [↩]
- https://turismo.alfredowagner.sc.gov.br/post-2907/ [↩]