Há uma profunda falta de coerência — e até de sensibilidade — nas ações e discursos que hoje ameaçam as APAEs.
Só quem nunca esteve dentro de uma APAE pode acreditar que ali existe exclusão.
Só quem nunca presenciou o amor, o carinho e o respeito com que cada aluno é atendido pode achar que esses espaços devem ser substituídos por um modelo de escola “inclusiva” que, na prática, não está preparada para acolher ninguém.
Dentro de uma APAE reina a paz.
Há tranquilidade, compreensão, paciência e amor.
Cada aluno é chamado pelo nome, cada conquista é valorizada e cada dificuldade é enfrentada com empatia e profissionalismo. São ambientes de harmonia, onde a dignidade e o afeto são o ponto de partida de todo aprendizado.
Agora compare isso com uma escola comum.
Salas lotadas, barulho constante, correria, pressão por resultados, notas, comparações e cobranças.
Não é desmerecer o ensino público — é constatar um fato: o ambiente escolar tradicional não é adequado para quem precisa de atenção individualizada e estímulo sensível.
Chamar isso de “inclusão” é uma distorção da realidade.
O que se chama de “avanço” pode se tornar, na prática, uma exclusão disfarçada de virtude.
As APAEs cumprem, há décadas, uma missão que o Estado jamais conseguiu desempenhar com a mesma qualidade: educar com amor, acolher com técnica e cuidar com humanidade.
São instituições que formam, ensinam, tratam, orientam e abraçam famílias inteiras. O poder público, em vez de fortalecê-las, prefere colocar tudo sob uma tutela centralizada, apagando as diferenças regionais e as experiências bem-sucedidas.
O ensino público tem a função de ensinar e formar.
As APAEs têm o dom de acolher, ajudar e amar.
São papéis diferentes, complementares, não concorrentes.
Ao enfraquecer o apoio financeiro e legal dessas instituições, o Estado não promove inclusão — promove abandono.
Incluir não é misturar todos no mesmo espaço, ignorando suas necessidades e limitações.
Incluir é garantir a cada pessoa o ambiente onde possa se desenvolver com dignidade, segurança e afeto.
As APAEs fazem isso há mais de meio século, com dedicação, competência e coração.
Se o governo realmente quer avançar na política de inclusão, que primeiro fortaleça as escolas públicas, sem desmontar o que já dá certo.
O progresso verdadeiro não nasce de decretos nem de ideologias, mas do respeito ao que funciona — e ao amor que transforma vidas todos os dias dentro de uma APAE.
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