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Greves em Suspenso: o que a mobilização dos caminhoneiros revela sobre o Brasil de 2025

Jornalista Mauro Demarchi, 04/12/202504/12/2025

Se a greve dos caminhoneiros respingar e Bolsonaro o lucro será do Lula – O contraste entre expectativa e realidade nas estradas

A convocação de greve dos caminhoneiros para o dia 4 de dezembro reacendeu um tema sensível para o país, especialmente em regiões como o Vale do Araranguá, no Sul de Santa Catarina. Lideranças locais apontaram que a adesão depende historicamente da força do movimento no Sudeste — sobretudo São Paulo e Minas Gerais —, mas desta vez essa força não se consolidou.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), nenhum bloqueio ou mobilização formal foi registrado nas rodovias federais naquele dia, e estados como Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo amanheceram sem paralisações.1 O que era anunciado como uma mobilização nacional acabou se transformando em um movimento disperso, sem capilaridade e sem articulação institucional clara.

Entidades representativas, como Fetrabens, CNTTL e outras federações do transporte rodoviário negaram apoio à paralisação e afirmaram que uma greve seria prejudicial ao setor naquele momento.2 O resultado foi uma greve que “não vingou”, revelando fragilidades organizacionais e políticas dentro da categoria.

Pautas legítimas, mas sem unificação nacional

Entre as reivindicações apresentadas pela União Brasileira dos Caminhoneiros (UBC) estavam a atualização do piso mínimo do frete, isenção de pesagem por eixo, o congelamento de dívidas por 12 meses e uma revisão do marco regulatório do transporte de cargas. Surgiram também demandas por segurança nas estradas — diante de relatos de furtos e roubos — e melhorias nas condições de parada para os motoristas.3

Ao mesmo tempo, uma ala organizada da categoria — por meio de sindicatos e confederações tradicionais — condenou a chamada greve como politizada e sem legitimidade. Fetrabens, por exemplo, em nota oficial declarou que “não participa, não convoca e não tem qualquer deliberação institucional envolvendo paralisação, greve geral ou mobilização relacionada à situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro.”4 O contraste entre expectativas, reivindicações e adesão real evidencia uma categoria sem coordenação unificada — um fator decisivo para o insucesso da paralisação.

O risco do tiro sair pela culatra

Enquanto entidades oficiais se afastavam da convocação, circularam mensagens em grupos de WhatsApp e redes sociais afirmando que o “verdadeiro objetivo” da paralisação seria “parar o Brasil para libertar Bolsonaro” — uma narrativa que mescla pauta trabalhista e motivações políticas.5

O risco é claro: transformar questões legítimas do transporte em uma cruzada personalista pode gerar dois efeitos contrários aos interesses da direita — reforçar o discurso governista de que a oposição age de forma desestabilizadora e desmoralizar o bolsonarismo, já fragmentado após a prisão do ex-presidente. Isso ocorre porque a mobilização perde legitimidade diante da opinião pública, ao ser vista como instrumento político e não como protesto de classe.

O que a não-greve revela sobre o momento político

O desfecho da mobilização mostra que o poder de mobilização dos caminhoneiros — decisivo em anos anteriores — hoje é menos previsível e muito mais fragmentado. A falta de coordenação nacional, o conflito entre agendas e a ausência de respaldo das grandes entidades revelam uma categoria dividida, sem liderança única e vulnerável à apropriação política por grupos externos.

Para regiões como Santa Catarina, onde havia expectativa de adesão dependendo do que ocorresse no Sudeste, a ausência de paralisações indica que o estado permanece atento, mas não em ruptura. E para o país, o recado é claro: uma greve desorganizada, mal comunicada e politicamente contaminada tende a gerar mais desgaste para quem tenta capitalizá-la do que pressão real sobre o governo.

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  1. https://www.bnews.com.br/noticias/geral/saiba-como-esta-situacao-das-rodovias-apos-anuncio-de-greve-dos-caminhoneiros.html [↩]
  2. https://transportemoderno.com.br/2025/12/02/principais-liderancas-negam-greve-de-caminhoneiros-no-proximo-dia-4-de-dezembro/ [↩]
  3. https://odia.ig.com.br/brasil/2025/12/7174626-caminhoneiros-convocam-greve-em-todo-o-brasil-entidades-divergem.html [↩]
  4. https://www.fetrabens.com.br/noticia/nota-oficial—paralisacao-greve-geral-ou-mobilizacao-de-caminhoneiros—dia-04122025 [↩]
  5. https://www.eshoje.com.br/geral/2025/12/principais-lideres-de-caminhoneiros-dizem-que-nao-vao-aderir-a-greve-convocada-para-quinta-4/) )

    Essa interpretação politizada — e sem relação direta com as demandas da categoria — acendeu um alerta entre lideranças tradicionais, que veem com preocupação a instrumentalização dos caminhoneiros para causas partidárias. A CNTTL, por exemplo, classificou tais ações como uma “manipulação política” e reafirmou que não apoia qualquer movimento em favor de anistia a condenados ou do ex-presidente. ((https://odia.ig.com.br/brasil/2025/12/7174626-caminhoneiros-convocam-greve-em-todo-o-brasil-entidades-divergem.html [↩]

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