Nos últimos meses, tornou-se comum ouvir que a direita brasileira estaria fragilizada, sem unidade e sem nomes capazes de enfrentar a máquina petista em 2026. A narrativa predominante — especialmente alimentada pelos adversários — é a de uma fragmentação irreversível. Mas quem observa o cenário apenas pela superfície corre o risco de repetir o erro que tantos cometeram em Santa Catarina, em 2022.
A verdade é outra: a direita não está dividida. Está se reorganizando. Está testando forças. Está calibrando o termômetro eleitoral. E, como já vimos, isso pode fazer toda a diferença.
Um precedente ignorado: o caso Jorginho x Moisés
Em 2022, o então governador Carlos Moisés parecia inalcançável. Popular, com boa aprovação e praticamente garantido no segundo turno. A esquerda contava com a repetição do confronto tradicional — mas os bastidores da direita trabalhavam em outra lógica.
Brasília enviou nomes de peso para a disputa. Era a tática do “dividir para ganhar”:
- Vários candidatos disputam o mesmo eleitorado, sem se destruir mutuamente;
- A soma de suas forças impede que o adversário dominante avance isolado;
- O mais votado no bloco recebe o apoio dos demais;
- O candidato que parecia invencível — Moisés — fica espremido e perde fôlego.
Resultado: Moisés terminou em terceiro lugar. A direita reorganizada enviou ao segundo turno Jorginho Mello, que derrotou o PT. Uma jogada fria, racional e extremamente eficiente.
Isso não foi acaso. Foi estratégia.
2026 deve repetir a fórmula — em escala nacional
Quem vê Tarcísio, Caiado, Romeu Zema e outros nomes dizendo que vão disputar a Presidência pode pensar que há desunião. Mas quem lembra de Santa Catarina sabe: no primeiro turno, isso não significa divisão — significa seleção.
Cada um desses nomes:
- possui eleitorado próprio consolidado;
- funciona como peça de um teste nacional de força;
- ajuda a impedir a concentração de votos no adversário;
- mantém a direita em movimento, com múltiplas frentes mobilizadas.
No fim, um único nome passará ao segundo turno, carregando consigo não apenas seus votos, mas o apoio e a energia dos demais. Assim como em SC.
E esse processo tem uma utilidade crucial para a direita: serve de termômetro real sobre quem possui musculatura para enfrentar Lula — ou qualquer nome que venha a substituí-lo, caso o quadro mude.
A esquerda parece confiante demais — e isso pode ser um erro
Enquanto isso, parte da esquerda vibra com as múltiplas pré-candidaturas da direita, acreditando estar assistindo a uma implosão. Não percebe que, na prática, o campo adversário está apenas repetindo uma fórmula que já funcionou.
E aqui está o ponto central:
2026 não será uma eleição decidida em agosto. Será uma eleição decidida em outubro, na reta final.
O país está dividido, o cenário econômico é instável, e a confiança no futuro é baixa. Um nome de direita que chegue ao segundo turno com a estrutura unificada terá força suficiente para disputar voto a voto com Lula — e possivelmente tirar dele a sua segunda reeleição.
Para os desanimados da direita: não há motivo para pânico
Ao contrário do que muitos acreditam:
- não existe pulverização descontrolada;
- não existe crise terminal;
- não existe abandono de estratégia.
O que existe é um processo em curso — organizado, velado, calculado — que permitirá à direita entrar forte no segundo turno, como aconteceu em Santa Catarina.
E, justamente por isso, não está tudo acabado. Na verdade, está tudo começando.
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