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A Direita não está dividida — está se transformando: o golpe de mestre que pode decidir 2026

Jornalista Mauro Demarchi, 06/12/202506/12/2025

Nos últimos meses, tornou-se comum ouvir que a direita brasileira estaria fragilizada, sem unidade e sem nomes capazes de enfrentar a máquina petista em 2026. A narrativa predominante — especialmente alimentada pelos adversários — é a de uma fragmentação irreversível. Mas quem observa o cenário apenas pela superfície corre o risco de repetir o erro que tantos cometeram em Santa Catarina, em 2022.

A verdade é outra: a direita não está dividida. Está se reorganizando. Está testando forças. Está calibrando o termômetro eleitoral. E, como já vimos, isso pode fazer toda a diferença.

Um precedente ignorado: o caso Jorginho x Moisés

Em 2022, o então governador Carlos Moisés parecia inalcançável. Popular, com boa aprovação e praticamente garantido no segundo turno. A esquerda contava com a repetição do confronto tradicional — mas os bastidores da direita trabalhavam em outra lógica.

Brasília enviou nomes de peso para a disputa. Era a tática do “dividir para ganhar”:

  • Vários candidatos disputam o mesmo eleitorado, sem se destruir mutuamente;
  • A soma de suas forças impede que o adversário dominante avance isolado;
  • O mais votado no bloco recebe o apoio dos demais;
  • O candidato que parecia invencível — Moisés — fica espremido e perde fôlego.

Resultado: Moisés terminou em terceiro lugar. A direita reorganizada enviou ao segundo turno Jorginho Mello, que derrotou o PT. Uma jogada fria, racional e extremamente eficiente.

Isso não foi acaso. Foi estratégia.

2026 deve repetir a fórmula — em escala nacional

Quem vê Tarcísio, Caiado, Romeu Zema e outros nomes dizendo que vão disputar a Presidência pode pensar que há desunião. Mas quem lembra de Santa Catarina sabe: no primeiro turno, isso não significa divisão — significa seleção.

Cada um desses nomes:

  • possui eleitorado próprio consolidado;
  • funciona como peça de um teste nacional de força;
  • ajuda a impedir a concentração de votos no adversário;
  • mantém a direita em movimento, com múltiplas frentes mobilizadas.

No fim, um único nome passará ao segundo turno, carregando consigo não apenas seus votos, mas o apoio e a energia dos demais. Assim como em SC.

E esse processo tem uma utilidade crucial para a direita: serve de termômetro real sobre quem possui musculatura para enfrentar Lula — ou qualquer nome que venha a substituí-lo, caso o quadro mude.

A esquerda parece confiante demais — e isso pode ser um erro

Enquanto isso, parte da esquerda vibra com as múltiplas pré-candidaturas da direita, acreditando estar assistindo a uma implosão. Não percebe que, na prática, o campo adversário está apenas repetindo uma fórmula que já funcionou.

E aqui está o ponto central:
2026 não será uma eleição decidida em agosto. Será uma eleição decidida em outubro, na reta final.

O país está dividido, o cenário econômico é instável, e a confiança no futuro é baixa. Um nome de direita que chegue ao segundo turno com a estrutura unificada terá força suficiente para disputar voto a voto com Lula — e possivelmente tirar dele a sua segunda reeleição.

Para os desanimados da direita: não há motivo para pânico

Ao contrário do que muitos acreditam:

  • não existe pulverização descontrolada;
  • não existe crise terminal;
  • não existe abandono de estratégia.

O que existe é um processo em curso — organizado, velado, calculado — que permitirá à direita entrar forte no segundo turno, como aconteceu em Santa Catarina.

E, justamente por isso, não está tudo acabado. Na verdade, está tudo começando.

Tempo de leitura4 min

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