Quedas sucessivas de energia atingem residências, comércios e até o hospital municipal, enquanto a concessionária se manifesta com textos institucionaispublicamente
Alfredo Wagner volta a sofrer — mais uma vez — com quedas sucessivas de energia elétrica. Não se trata de um evento isolado, nem de um acidente pontual causado por intempéries extremas. O que a população vivencia é um padrão: a energia cai “do nada”, retorna por poucos minutos e volta a cair, mergulhando bairros inteiros em horas de apagão.
Há um efeito cascata evidente. O problema começa em um ponto e, como um corisco, se espalha por todo o município. Residências, comércios, propriedades rurais e serviços essenciais são afetados quase simultaneamente. A população liga, reclama, registra protocolos no número destinado a isso — e, ainda assim, a Celesc não veio a público para explicar o que está ocorrendo, ou o que ocorreu.
O silêncio institucional é tão grave quanto a falha no fornecimento.
Durante muito tempo, o Jornal Alfredo Wagner Online publicou notícias institucionais da Celesc, acreditando na importância da informação oficial e no papel público da empresa. Essas publicações, no entanto, foram interrompidas porque a realidade vivida pelos moradores de Alfredo Wagner é bem diferente daquela retratada nos comunicados. Entre o discurso e a prática, há um abismo — e quem cai nele é o consumidor.
O impacto das quedas frequentes vai muito além do desconforto doméstico. O presidente do Hospital de Alfredo Wagner, Julio Cesar — conhecido como Neguinho Pintor — relatou que a instituição já teve várias chaves do gerador queimadas. As interrupções constantes confundem o sistema: o gerador entra em funcionamento, logo precisa desligar porque a rede “volta”, e em seguida tudo cai novamente. Esse vai e vem não apenas danifica equipamentos caros, como coloca em risco a segurança de pacientes e profissionais de saúde.
É preciso dizer com todas as letras: isso é inadmissível.
A população paga caro pela energia elétrica. As contas chegam pontualmente, com multas e juros rigorosos em caso de atraso. Mas quando o serviço falha repetidamente, quando há prejuízos materiais e riscos à saúde, quem penaliza a concessionária?
Não se pede o impossível. Pede-se o básico: fornecimento estável, manutenção adequada da rede, transparência nas informações e respeito com uma comunidade inteira. Alfredo Wagner não pode continuar sendo tratada como periferia do sistema, como se seus moradores e instituições fossem menos importantes.
A indignação cresce porque o problema persiste e as explicações não vêm. E quando o silêncio se prolonga, ele deixa de ser apenas omissão: passa a soar como descaso.
Este artigo não é contra uma empresa, mas a favor de uma população que cumpre seus deveres e exige, com razão, que seus direitos também sejam respeitados. Alfredo Wagner merece respostas. Merece soluções. E merece, acima de tudo, energia de qualidade e respeito.
Os canais oficiais de comunicação da Celesc não têm se mostrado acessíveis para esclarecimentos públicos sobre os apagões recorrentes em Alfredo Wagner. Mesmo registros e contatos feitos pela população não resultaram, até o momento, em uma manifestação pública da concessionária.
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