A expectativa de um novo ciclo de queda da Selic em 2026 começa a alterar de forma concreta o comportamento de investidores e empresários brasileiros. Com a renda fixa perdendo parte do apelo que teve nos últimos anos, o debate deixa de ser apenas sobre onde investir e passa a girar em torno de como estruturar capital, risco e crescimento em um cenário de juros mais baixos.
Para Marcos Koenigkan, fundador do Think Tank Mercado & Opinião, o momento exige mais estratégia do que entusiasmo. “Quando o juro começa a cair, muita gente interpreta como risco mínimo. Mas o investidor mais maduro entende que não desaparece, ele muda de lugar. É aí que decisões mal estruturadas costumam acontecer”, afirma.
Segundo Koenigkan, o ciclo de juros mais baixos tende a reaquecer o crédito, reposicionar o mercado imobiliário e provocar uma redistribuição gradual entre renda fixa, bolsa e ativos alternativos. O ponto central, porém, está menos no instrumento escolhido e mais na leitura de contexto. “Crédito mais barato não significa crédito bem feito. Empresas e investidores que atravessam bem esse ciclo são os que ajustam estrutura de capital, prazos e exposição antes do mercado virar consenso”, diz.
Essa percepção tem aparecido de forma recorrente nos encontros promovidos pelo Mercado & Opinião, que reúne grandes líderes empresariais, gestores e investidores de diferentes setores. De acordo com Koenigkan, as discussões recentes mostram uma preocupação crescente com previsibilidade, proteção patrimonial e decisões baseadas em dados e não apenas em expectativa de retorno. “O investidor estratégico está mais focado em não errar estruturalmente”, resume.
No mercado imobiliário e em negócios ligados à economia real, o movimento também é de cautela. A queda dos juros tende a melhorar a viabilidade de projetos e destravar investimentos represados, mas não elimina desafios como custo de capital, demanda local e gestão de longo prazo. “O ciclo ajuda, mas não salva projeto mal pensado. Juros mais baixos amplificam tanto decisões corretas quanto erros”, afirma Koenigkan.
Para ele, o momento marca uma transição importante no perfil do investidor brasileiro. Sai de cena a busca por rendimento fácil e entra uma lógica mais próxima de gestão patrimonial. “A Selic sempre foi um farol, mas não pode ser o volante. Quem entende isso atravessa ciclos com mais consistência”, conclui.
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