A localidade de Catuíra, no interior de Alfredo Wagner, abriga um dos últimos telefones públicos ainda registrados em Santa Catarina. Conhecidos popularmente como orelhões, esses equipamentos — que marcaram gerações como principal meio de comunicação fora de casa — estão com os dias contados: a desativação definitiva deve ocorrer ao longo de 2026.
De acordo com dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Santa Catarina possui atualmente 94 orelhões cadastrados, sendo 65 ativos e 29 em manutenção. Todos são operados pela empresa Oi e estão concentrados, em sua maioria, em municípios pequenos ou localidades do interior, como é o caso de Catuíra. No cadastro da Anatel, o aparelho existente na comunidade aparece com status “em manutenção”.
O ano de 2026 simboliza o fim de uma era no Brasil. Após décadas de uso intenso, os telefones públicos começaram a ser retirados das ruas com o encerramento das concessões do serviço de telefonia fixa. Com o término dos contratos, as operadoras deixaram de ter obrigação legal de manter os aparelhos em funcionamento em vias e espaços públicos.
Em todo o país, ainda restam cerca de 38 mil orelhões, a maioria concentrada no estado de São Paulo. Em Santa Catarina, o número é residual e espalhado por comunidades rurais, distritos e bairros afastados dos centros urbanos. Algumas cidades possuem apenas um único telefone público, o que reforça o caráter simbólico desses equipamentos.
A retirada dos orelhões ocorrerá de forma gradual ao longo de 2026, priorizando aparelhos danificados, carcaças e estruturas fora de operação. No entanto, a Anatel prevê exceções até 31 de dezembro de 2028 em localidades onde não exista cobertura adequada de telefonia móvel ou outra alternativa de comunicação. Nesses casos, o serviço de voz deverá ser mantido, mesmo em regime privado.
Criados em 1971, com design da arquiteta Chu Ming Silveira, os orelhões tornaram-se um dos maiores ícones da paisagem urbana brasileira. O formato oval, pensado para melhorar a acústica, atravessou décadas e hoje resiste mais como símbolo da memória coletiva do que como ferramenta funcional.
Em Catuíra, a presença do orelhão é um lembrete silencioso de um tempo em que a comunicação dependia de fichas, cartões e paciência — um capítulo da história que se aproxima do fim, mas que permanece vivo na lembrança de quem fez uso dele.
Fonte: NSC Total
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