Nomadismo e Contato: A Presença Xokleng em Alfredo Wagner em 1977
A notícia publicada pelo jornal O Estado em 8 de janeiro de 1977, relatando a aparição de indígenas Xokleng na localidade de Rio Caeté, em Alfredo Wagner, oferece um vislumbre sobre a persistência de padrões ancestrais de circulação humana na região. O relato do prefeito Norberto Wagner sobre índios “famintos” e em constante deslocamento — fugindo ao menor sinal de aproximação — corrobora a natureza nômade desses grupos.
O Legado de Padre Rohr e o Nomadismo
As pesquisas arqueológicas, notadamente as conduzidas pelo Padre João Alfredo Rohr, indicam que grupos indígenas da região, como os Xokleng, mantinham um sistema de vida baseado na caça e coleta que não pressupunha a fixação permanente em um único ponto, mas sim o uso de rotas de passagem e áreas de subsistência.
Diferente de um cenário de “conflito de fronteiras” estático, o que a notícia de 1977 descreve é o encontro fortuito entre moradores fixos e um grupo que exercia seu deslocamento histórico. A reação dos indígenas — jogando pedras para verificar se havia alguém nas casas e evitando o contato direto — reforça o comportamento de um grupo de passagem, e não de um exército em disputa territorial.
Enquanto proprietários rurais reagiam com surpresa e, por vezes, hostilidade — como no caso do disparo de advertência efetuado por um morador local —, Norberto Wagner, prefeito na época, buscava uma abordagem de auxílio e preservação. O relato de que os indígenas estavam “famintos” e portavam apenas seus instrumentos tradicionais de caça pintava um quadro de vulnerabilidade social e isolamento.
A Mediação Técnica
A intervenção solicitada ao Museu de Antropologia da UFSC na época visava entender essa movimentação sob uma ótica científica. O fato de o prefeito instruir os moradores a não revidarem e a oferecerem alimento demonstra uma tentativa de gestão de um evento que era, acima de tudo, um fenômeno de trânsito humano e necessidade básica, longe de representar uma “guerra étnica” ou um levante organizado.
Este registro histórico é valioso para compreender que a história do Alto Vale é composta por ciclos de ocupação distintos: a fixação colonial e o nomadismo milenar, que ocasionalmente se cruzavam nas matas de Alfredo Wagner.
A notícia poderá ser lida em Arquivo Histórico Digital
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