Apesar do endividamento elevado, o peso dos juros — e não apenas o tamanho da dívida — é o principal desafio brasileiro
O Brasil encerrou 2025 com a dívida pública bruta em 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB), impulsionada principalmente pelo gasto recorde de R$ 1 trilhão com juros, o maior já registrado pelo Banco Central. O dado chama atenção e reacende o debate sobre a sustentabilidade das contas públicas, mas, isoladamente, não coloca o país fora do padrão internacional.
Quando comparado a outras economias, especialmente as desenvolvidas, o nível de endividamento brasileiro não é uma anomalia. Países como Japão, Estados Unidos, Itália e França convivem há anos com dívidas públicas superiores a 100% do PIB — no caso japonês, acima de 200%.
A diferença fundamental, porém, está no custo da dívida.
Dívida alta não é o problema central — juros altos, sim
Enquanto países ricos conseguem sustentar dívidas elevadas pagando juros baixos, o Brasil enfrenta uma equação mais difícil: dívida relevante combinada com taxas de juros historicamente altas. Em 2025, o gasto com juros adicionou quase nove pontos percentuais à dívida bruta, efeito apenas parcialmente compensado pelo crescimento do PIB e pela valorização do real.
Em economias como o Japão, o governo se financia a juros próximos de zero há décadas. Nos Estados Unidos e na Europa, apesar do aperto monetário recente, o custo médio da dívida ainda é inferior ao observado no Brasil. Isso reduz o impacto fiscal e libera mais espaço para investimentos públicos.
No caso brasileiro, a taxa Selic elevada, somada à desconfiança do mercado quanto à trajetória fiscal, faz com que o governo pague caro para rolar sua dívida. O resultado é uma conta bilionária que consome recursos que poderiam ser direcionados a áreas como infraestrutura, saúde ou educação.
Emergentes: o Brasil está acima da média
Entre os países emergentes, o Brasil também se destaca. Nações como México, Chile e Colômbia mantêm dívidas públicas menores em relação ao PIB e, em alguns casos, enfrentam custos financeiros menos pesados. Já economias como China e Índia apresentam endividamento semelhante ou ligeiramente superior, mas contam com maior controle interno sobre sua dívida e mercados financeiros distintos.
Ainda assim, o Brasil não vive uma situação de colapso fiscal. O próprio Banco Central aponta que, em dezembro, houve superávit primário, e que o resultado do ano ficou dentro da margem prevista pela meta fiscal, considerando os abatimentos legais.
O alerta não é o tamanho da dívida, mas sua dinâmica
O cenário desenhado pelos números de 2025 indica que o principal desafio brasileiro não é apenas quanto se deve, mas quanto custa essa dívida ao longo do tempo. Enquanto os juros permanecerem elevados e a confiança fiscal seguir fragilizada, o gasto com o serviço da dívida continuará pressionando o orçamento público.
Em resumo, o Brasil não está sozinho no clube dos países endividados. A diferença é que, por aqui, o preço do dinheiro é muito mais alto — e é isso que transforma a dívida em um problema estrutural.

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